Confissão de Temer sobre impeachment será usada como prova no STF por defesa de Dilma

Política
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"Que coisa curiosa!": Temer afirma que se o PT tivesse votado a favor de Cunha, Dilma não teria sido afastada

Por Tiago Pereira
Da Rede Brasil Atual

O presidente Michel Temer (PMDB-SP) admitiu que o processo de impeachment contra a então presidenta Dilma Rousseff (PT-RS) teve início quando o PT negou votos contra pedido de cassação do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), então presidente da Casa, por quebra de decoro parlamentar. Para o advogado de Dilma, o ex-ministro da Justiça Eduardo Cardozo, o episódio relatado por Temer é uma "confissão" e "prova de que Cunha abriu o processo por vingança". 

A defesa de Dilma pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (17) para que trecho da entrevista dada pelo presidente à TV Bandeirantes no último sábado (15) seja incluído como fato relevante que atesta que o processo de afastamento teve desvio de finalidade em sua origem. "A prova de que Dilma foi vítima de uma vingança está reforçada pelo que disse Michel Temer", afirmou Cardozo.

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"Em uma ocasião, ele (Eduardo Cunha) foi me procurar. Ele me disse 'vou arquivar todos os pedidos de impeachment da presidente, porque prometeram-me os três votos do PT no conselho de ética'", contou Temer, durante a entrevista, visando a reduzir o seu papel na trama do impeachment.

Temer relatou ter ficado satisfeito com a notícia, pois a atuação oposicionista de Cunha, segundo ele, lhe causaria certo embaraço como vice-presidente. Ele chegou, inclusive, a comentar a decisão com a presidenta Dilma, durante reunião com governadores. 

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"No dia seguinte, eu vejo logo o noticiário dizendo que o presidente do PT e os três membros do partido se insurgiam contra aquela fala e votariam contra (Cunha no Conselho de Ética). Mais tarde, ele (Cunha) me ligou e disse 'tudo aquilo que eu disse, não vale, vou chamar a imprensa e vou dar início ao processo de impedimento'".

"Que coisa curiosa! Se o PT tivesse votado nele naquele comitê de ética, seria muito provável que a senhora presidente continuasse", concluiu, com desfaçatez, o presidente.

Segundo Cardozo, a prova de que Dilma foi vítima da vingança de Cunha, e que o processo de impeachment teve como origem esse desvio de finalidade é suficiente para anular o processo de afastamento. "O Supremo tem agora a prova de que não foram as pedaladas fiscais que levaram Eduardo Cunha a aceitar o processo de impeachment, mas a vingança porque ela não cedeu às suas chantagens", disse o advogado da presidenta eleita.

Assista ao trecho:

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