Ataques à Constituinte eram esperados, diz cônsul da Venezuela

Política
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Documento apoia Assembleia Constituinte que tomou posse nesta sexta (4), em Caracas

Por Lúcia Rodrigues
Caros Amigos

O Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela entregou, nesta sexta-feira (4), ao cônsul adjunto da Venezuela em São Paulo, Robert Torrealba, um manifesto de apoio à Assembleia Constituinte, que tomou posse na sexta (4), em Caracas. O documento é chancelado por dezenas de entidades, organizações, movimentos sociais e partidos políticos de esquerda.

O manifesto e a comitiva foram saudados pelo cônsul. "É de vital importância para nosso país. E reafirma a solidariedade que existe entre os dois povos." Ele informa que o documento será encaminhado para o governo do presidente Nicolás Maduro. O apoio recebido também já foi divulgado na imprensa venezuelana.

Em relação à pressão internacional contra a Assembleia Constituinte, Torrealba é enfático ao afirmar que isso não o surpreende. "Não é novidade. É de praxe que a direita internacional questione o resultado das eleições na Venezuela. Aconteceu assim desde a nossa primeira eleição. Mas isso não nos preocupa. Contamos com um sistema eleitoral reconhecido como um dos melhores e mais seguros do mundo."

Nem mesmo as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, que pregou abertamente a derrubada de Maduro do cargo preocupam o governo, de acordo com Torrealba. "Não nos surpreende. Faz parte de uma articulação internacional de ataque à legitimidade do presidente Nicolás Maduro. Não é uma novidade e portanto não é motivo de preocupação." 

Participação popular

A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, classifica como absurdo o ataque ao direito do povo venezuelano de escolher o seu destino. "A população assumiu em suas mãos o direito de fazer suas leis. Isso é um direito inalienável de qualquer povo. Mas na Venezuela praticam até atos de terror contra isso. Defender a paz na Venezuela e sua soberania é defender a paz no continente e no Brasil."

Para a representante da Articulação dos Movimentos Sociais da Alba ( Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Paola Estrada, o manifesto entregue ao cônsul pelo Comitê é importante porque deixa claro que as forças progressistas brasileiras apoiam o processo constituinte e o governo Maduro. "Se contrapõe à ofensiva brutal nos meios de comunicação e da direita fascista. É uma forma de desconstruir esses ataques", frisa.

O ex-deputado e presidente municipal  do PC do B, Jamil Murad, também reforça a importância do apoio dos movimentos sociais, de partidos políticos e das centrais sindicais. "Esse apoio à democracia venezuelana, baseada na participação popular, é fundamental. Por isso, estamos aqui nos somando ao povo venezuelano para evitar o golpe." Ele também acredita que os Estados Unidos estão por trás dos protestos na Venezuela. "Têm feito isso ao longo da história. Estão por trás dos golpes que derrubaram o presidente João Goulart, a presidenta Dilma.  E agora querem fazer o mesmo na Venezuela. Querem colocar no lugar de Maduro alguém que saqueie o petróleo venezuelano." 

"A saída é sempre pela democracia. E a constituinte é uma das saídas mais democráticas que poderia haver.  Por isso o PT apoia a assembleia constituinte. Ela é justamente o contrário do que está acontecendo aqui, onde os partidos golpistas tiraram uma presidente legitimamente eleita com 54 milhões de votos e implantaram um programa anti-nacional e anti-popular que não foi votado nas urnas", afirma Monica Valente, secretária de Relações Internacionais do PT e secretária executiva do Foro de São Paulo.

Leia abaixo o manifesto entregue pelo Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela.

"MANIFESTO PELA PAZ NA VENEZUELA

O povo venezuelano, livre e soberano, retomou em suas mãos o poder originário, elegendo massivamente representantes para a Assembleia Nacional Constituinte.

Mais de oito milhões compareceram às urnas, apesar do boicote e da sabotagem de grupos antidemocráticos, em um processo acompanhado por personalidades jurídicas e políticas internacionais que atestaram lisura e transparência.

Todas as cidades, classes e setores estão presentes, com seus delegados, na máxima instituição da democracia venezuelana.
A Constituinte é o caminho para a paz e a normalidade, para retomar o caminho do desenvolvimento e da prosperidade, para superar a crise institucional e construir um programa que reunifique a pátria vizinha.

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De forma pacífica e democrática, milhões de cidadãos e cidadãs disseram não aos bandos terroristas, às elites mesquinhas, aos golpistas e à ingerência de outros governos.

Homens e mulheres de bem, no mundo todo, devem celebrar esse gesto histórico de autodeterminação da Venezuela, repudiando as ameaças intervencionistas e se somando a uma grande corrente de solidariedade.

Também no Brasil se farão ouvir as vozes que rechaçam a violência e a sabotagem contra o governo legítimo do presidente Nicolás Maduro.

Qual moral tem um usurpador como Michel Temer para falar em democracia, violando a própria Constituição de nosso país, ao adotar posições que ofendem a independência venezuelana?

O Brasil não pode passar pela infâmia de se aliar a governos que conspiram contra uma nação livre e se associam a facções dedicadas a tomar o poder de assalto, apelando para o caos e a coação.

Convocamos todos os brasileiros e brasileiras à defesa da democracia e da autodeterminação de nossos irmãos venezuelanos, ao seu direito de viver em paz e a definir o próprio destino.

Repudiamos as manobras de bloqueio e agressão que estão sendo tramadas nas sombras da Organização dos Estados Americanos (OEA), sob a batuta da Casa Branca e com a cumplicidade do governo golpista de nosso país.

Denunciamos o comportamento repulsivo dos meios de comunicação que manipulam informações e atropelam a verdade, para servir a um plano de desestabilização e isolamento.

Declaramos nossa solidariedade ao bravo povo de Bolívar. Sua luta pela paz também é nossa. 

COMITÊ BRASILEIRO PELA PAZ NA VENEZUELA

São Paulo, 01 de Agosto de 2017.

ADESÕES

Receberemos adesões individuais e de organizações somente por email (paznavenezuelabr@gmail.com) até o dia 8 de Agosto de 2017.

ORGANIZAÇÕES:
1. Articulação brasileira dos movimentos sociais da ALBA
2. Brigadas Populares
3. Campanha Brasil Justo para todos e para Lula
4. Central de Movimentos Populares – CMP
5. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
6. Central Única dos Trabalhadores – CUT
7. Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz – Cebrapaz
8. Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
9. Centro de Estudos e Pesquisa Ruy Mauro Marini
10. Coletivo Poder Popular
11. Conselho Mundial da Paz – CMP
12. Consulta Popular
13. Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN
14. Democracia no Ar
15. Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC
16. Fundação Perseu Abramo
17. Instituto Astrojildo Pereira
18. Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
19. Levante Popular da Juventude
20. Marcha Mundial de Mulheres – MMM
21. Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
22. Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA
23. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
24. Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM
25. Partido Comunista do Brasil – PCdoB
26. Partido dos Trabalhadores – PT
27. Rede De Médicas e Médicos Populares
28. Sindicato dos Arquitetos
29. Sindicato dos Bancários de Santos
30. União Brasileira de Mulheres – UBM
31. União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES
32. União da Juventude Socialista – UJS
33. União Nacional dos Estudantes – UNE
APOIADORES:
1. Aline Piva – Jornalista do Blog Nocaute
2. Amir Bertoni Gebara – Biólogo
3. Anivaldo Padilha - Teólogo
4. Aray Nabuco - Editor da Caros Amigos
5. Artur Araújo – Consultor de Orçamento e Gestão
6. Carlos Tibúrcio – Jornalista, editor do Democracia no Ar, Rede de Resistência Democrática
7. César Cordaro - Procurador aposentado
8. Clayton Figueiredo de Oliveira
9. Conceição Lemes – Jornalista
10. Cristiana Castro – Advogada
11. Denise Fon - Jornalista
12. Denise Ramiro – Jornalista
13. Eliana Ada Gasparini
14. Eliana Guimarães Silva
15. Emir Sader – Intelectual brasileiro
16. Ernesto Germano Parés – Jornalista, radialista e assessor sindical
17. Gilberto Maringoni – Professor de Relações Internacionais da UFABC
18. Gladstone Leonel Júnior - Professor de Direito da Universidade Federal Fluminense
19. Heitor Claro da Silva – Estudante de Ciências Sociais da Universidade de Brasília
20. Igor Fuser – Professor de Relações Internacionais da UFABC
21. Jacqueline Denise de Alcântara
22. José Luiz del Roio - Ex-senador na Itália
23. José Marcio Gomes dos Santos Cunha – ex-Presidente do SINTRAPE, ex-Secretário-Geral da FETAM/CUT
24. José Reinaldo Carvalho – Jornalista e editor do Resistência
25. Laurindo Lalo Leal Filho - Sociólogo e Jornalista
26. Lilian Vaz – Arquiteta
27. Lucas Rafael Chianello – Advogado
28. Lúcia Rodrigues - Repórter Especial da Caros Amigos
29. Marcio Sotelo Felippe - Procurador
30. Marília Equi Martins – Assistente social na USP e membra do grupo de estudos de Marx RP
31. Mário Goncalves Viana Júnior – Engenheiro Civil
32. Maurício Ianês – Artista Plástico
33. Nilton Viana – Jornalista
34. Patricia Valim – Historiadora
35. Paulo Henrique Silva e Costa – Administrador
36. Pedro Pomar - Jornalista
37. Socorro Gomes – Presidenta do Conselho Mundial da Paz
38. Valter Pomar – Professor da UFABC
39. Wevergton Brito Lima – Secretário-Geral do Cebrapaz

 

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