Turquia ameaça romper com Israel se Jerusalém for reconhecida como capital pelos EUA

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Recep Tayyip Erdogan declarou que um eventual reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel poderá conduzir a uma ruptura das relações entre Ancara e Israel.

Por RFI Paris
No Opera Mundi

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan declarou nesta terça-feira (05) que um eventual reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pela administração americana poderá conduzir a uma ruptura das relações entre Ancara e Israel. Trump decidiu adiar a decisão.

Segundo o presidente turco, o país romperá diplomaticamente com os israelenses. “Vamos levar essa luta até o fim, com determinação. Isso se trata de uma linha vermelha, que não pode ser ultrapassada, para os muçulmanos”, declarou. Nesta segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, decidiu adiar a decisão sobre uma eventual transferência da embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

A União Europeia também fez um alerta nesta terça-feira (05) contra as “graves repercussões na opinião pública de um eventual reconhecimento”. A declaração foi feita pela representante das Relações Exteriores do bloco, Federica Mogherini, em um comunicado. Os europeus são partidários da solução dos dois Estados, com fronteiras baseadas nos territórios em 1967, e condena com firmeza a colonização de territórios palestinos, que ela julga ilegal em direito internacional.

Segundo o porta-voz, Hogan Gidley, o anúncio será feito nos próximos dias. Trump deveria se pronunciar nesta semana sobre o eventual traslado da embaixada americana para Jerusalém e seu reconhecimento como capital de Israel.

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Em 1995, o Congresso americano adotou o "Jerusalem Embassy Act", que pede ao executivo a transferência da embaixada, mas uma cláusula permite aos presidentes adiar sua aplicação durante seis meses em virtude de "interesses de segurança nacional". Trump deve decidir se adiará ou não por mais seis meses os planos de trasladar a embaixada, como fizeram todos os presidentes desde a adoção da lei.

Fúria no mundo muçulmano

A declaração de Trump e a possibilidade de transferência provocaram uma forte reação no mundo muçulmano, que alerta sobre o risco de bloquear um acordo de paz. Os palestinos têm pressionado líderes regionais para que eles se oponham à decisão de Washington. O movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, ameaçou uma nova "intifada". Modificar o estatuto "histórico" de Jerusalém causaria "uma grande catástrofe" e "colocaria fim ao processo de paz" entre israelenses e palestinos, declarou o porta-voz do governo turco, Bekir Bozdag.

Essa decisão do governo americano "abriria o caminho a novos confrontos, novas disputas, mais instabilidade na região e acontecimentos imprevisíveis", disse. A Jordânia advertiu os Estados Unidos sobre "as graves consequências" de um eventual reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores jordaniano, a decisão contribuirá para o aumento da violência.

Já o líder da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, afirmou que a abertura da embaixada americana em Jerusalém, estimulará o fanatismo e a violência na região. "É lamentável que alguns insistam nesse processo, sem enxergar o perigo que isso implica para a estabilidade do Oriente Médio e do mundo inteiro", expressou Abul Gheit à imprensa.

Em um telefonema, o presidente francês, Emmanuel Macron, expressou a Trump sua "preocupação" com a possibilidade de traslado da embaixada, informou a presidência francesa em comunicado. "Emmanuel Macron lembrou que a questão do status de Jerusalém deverá ser regulada no marco das negociações de paz entre israelenses e palestinos, aspirando especialmente a criação de dois Estados que vivam juntos em paz e em segurança com Jerusalém como capital", informou o palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.

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