Edição Especial - #Felicidade?

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O custo da felicidade?

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Qual o custo da busca pela felicidade? E o que é felicidade? Nas fantasias modernas propagandeadas pelo capitalismo, a ordem é ser feliz, mas desde que isso esteja atrelado ao consumo, muito consumo. Que, ao final, se traduz em uma busca incessante por dinheiro, crédito, mais dinheiro, que também significa a ilusão da liberdade. Em um ciclo que justifica a mais básica exploração do trabalho, mas nesse caso, atrelada a elementos abstratos, como desejo, vaidades ou mesmo ambição. E é aí que essa ideia de felicidade se torna uma pedra angular na vida, expondo o ser humano a frustrações e pressões: enquanto a propaganda da felicidade mantém as pessoas em um universo de ilusões e satisfações efêmeras, a vida real sente os efeitos na saúde, seja nos índices atuais de doenças emocionais, como depressão, ansiedade e transtornos.

Esta edição temática de Caros Amigos mergulha nestas questões abordando vários aspectos, inclusive uma reação, a busca por uma vida mais simples. Por exemplo, as pessoas que abandonaram o carro e optaram – e mesmo militam na causa – por bicicleta ou caminhada, fugindo do estresse do trânsito e suas consequências. Ou que optaram em escapar do hiperconsumismo e suas felicidades que duram até a próxima versão de um produto, o próximo lançamento, a próxima “novidade”.

Nessa busca incessante, até mesmo o tempo para si próprio desaparece nas facilidades das novas tecnologias, no estar disponível 24h no e-mail ou nas redes sociais, atualmente o templo onde só valem posts de rostos felizes – ainda que por trás de fotos e “emoticons” (os populares símbolos de internet) esteja um solitário, um deprimido, um infeliz. Pois, também nesses tempos, mais importante que ser, é parecer. As redes na internet são outro assunto deste especial.

A impossibilidade de ser feliz em um sistema de opressões e ilusões produz pessoas doentes e necessidade de medicalização, um reforço ao ciclo de consumo – o de remédios, quase sempre tarja preta – e dominação. Em um mundo onde a depressão é praticamente epidêmica, a indústria de remédios aplaina as emoções, enquanto engorda o caixa dos seus lucros. A edição traz depoimentos de vítimas da Ritalina e outros protocolos psiquiátricos modernos. Leonardo Boff assina artigo em que discute o ser feliz em meio a este mundo de mercadorias com o capital no comando. Em outro texto autoral, a pesquisadora Vanessa Andrade explica por que o capitalismo torna a felicidade um “produto” inalcançável ao envolver as pessoas nessa máquina de ilusões e suplícios. E, ainda, Luiz Algarra, "designer de fluxos de conversação", como ele define sua atuação, aborda o conceito de felicidade e suas condicionantes, sobretudo a relação do indivíduo com o outro.

Boa leitura!

REPORTAGENS

Mercadorias

7 A prisão do consumo – por Sandra Aguiar

Conexões

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16 Tempo de não ter tempo – por Gisele Brito

Vício

18 É preciso (des)conectar – por Rafael Mendonça

Mobilidade

19 Sem carros – por José Coutinho Júnior

Desumanização

22 Na vida e na morte – por Lais Modelli

Medicalização

26 Emoções 2.0 – por Lilian Primi

ENTREVISTA

10 Luiz Algarra: A validação do outro – Por Lilian Primi, Lu Sudré e Nina Fideles

ARTIGOS

4 Leonardo Boff: Podemos ser felizes num mundo infeliz? 30 Vanessa Andrade: Capitalismo: o suplício da infelicidade eterna

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