"Crise de 2008 foi causada não por falta, mas por overdose de lucro", diz biógrafo de Marx em SP

Economia
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De acordo com o cientista político alemão Michael Heinrich, a crise de 2008 está enraizada no sucesso que o capitalismo teve nos anos anteriores

Do Opera Mundi

Para Michael Heinrich, cientista político e professor de economia da Universidade de Ciências Aplicadas de Berlim, a crise econômica mundial de 2008 está ligada ao êxito do sistema capitalista, e não à sua falência. Autor de “Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna: biografia e evolução de suas obras”, que será lançado em 2018 pela editora Boitempo, Heinrich participou nessa terça-feira (6) da terceira edição do Salão do Livro Político, na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

Na minha opinião, a crise de 2008 está enraizada no sucesso que o capitalismo teve nos anos anteriores”, disse o professor, que também é colaborador na MEGA (Marx-Engels-Gesamtausgabe),instituição curadora dos manuscritos de Marx e Friedrich Engels.

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Para ele, a explicação que mais se aproximaria da visão de seu biografado sobre a crise econômica mundial de 2008 seria o excesso de lucro: “A crise não foi causada por falta de lucro, mas sim por uma overdose de lucro. Essa visão geral se encaixa bem na visão de Marx”, afirmou durante o evento.

Questionado por Opera Mundi sobre sua visão da crise política brasileira, o professor afirmou que “até onde eu entendo, o Brasil tem um presidente não eleito pelo voto popular, implementando medidas neoliberais contrárias à maioria das pessoas”. Heinrich ainda comentou sobre a corrupção e os interesses no poder, dizendo que “de um lado você tem o problema da corrupção, que não é um problema especial do Brasil; do outro, as tentativas de uma classe conservadora buscando implementar um governo de seu interesse”.

Sobre a biografia do filósofo alemão, Heinrich disse que aborda não somente o desenvolvimento da obra de Marx, como também aspectos da vida pessoal dele. “Uma das coisas que aprendi no meu processo de pesquisa foi que você não pode separar vida e obra de um pensador como Marx”, afirmou.

Heinrich ainda destacou uma série de pontos na obra de Marx que foram revisados pela MEGA, como a publicação do primeiro volume do Capital em seis livros, quatro originais ainda publicados quando Marx era vivo e outras duas traduções inéditas em francês e em inglês, ambas controladas por Marx e Engels. A MEGA ainda oferece um suplemento chamado “Aparatos” que acompanha cada volume publicado e serve para indicar ao leitor todas as alterações que foram feitas no texto original.

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