Há 20 anos, a primeira à esquerda

Cultura
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Publicação foi criada em 1997 por um grupo de amigos com o objetivo de se contrapor ao jornalismo hegemônico

Por Lu Sudré
Caros Amigos

Em abril, completaram-se duas décadas desde que Caros Amigos chegou às bancas pela primeira vez. Reconhecida no campo progressista e marcada pelo seu formato diferenciado, a publicação foi criada em abril de 1997 por um grupo de amigos que incluía jornalistas, advogados, publicitários, fotojornalistas e outros profissionais da comunicação. Tinham como objetivo produzir um veículo crítico para se contrapor ao jornalismo hegemônico, sem deixar de lado a ética e a qualidade dos textos.

Sob a liderança do jornalista e editor Sérgio de Souza, profissionais como João Noro, Roberto Freire (Bigode), Alberto Dines, quem sugeriu o título da publicação, João de Barros, José Trajano, Jorge Brolio, Francisco Vasconcellos, Bia Toledo, Adriana Cury, José Carlos Marão, Sérgio Pinto de Almeida, Juca Kfouri e Colibri encararam o desafio em um contexto no qual o neoliberalismo do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) invadia o País.

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Cultivando novos aspectos artísticos e gráficos, a publicação nunca escondeu a que veio. Em seu slogan, A primeira à esquerda, incorporado ao logotipo no aniversário de dez anos, Caros Amigos sempre deixou clara sua posição no espectro político, publicando reportagens que deram e seguem dando espaço para a reflexão crítica da realidade e dos fatos. Nomes como o de Chico Buarque, Marilena Chauí, Tom Zé, Luiz Inácio Lula da Silva ou Mano Brown, entre tantos outros intelectuais e artistas, já estamparam as capas de Caros Amigos , cuja editora, além das produções mensais, já publicou 85 edições especiais temáticas, lançadas bimestralmente, além de coleções e livros. Cerca de trezentos profissionais e colaboradores passaram pela redação da revista ao longo desses 20 anos. Em destaque, o escritor e dominicano Frei Betto e o desenhista Guto Lacaz, que participam voluntariamente de todas as edições publicadas até hoje, desde o primeiro número. Atuais colunistas como Gilberto Felisberto Vasconcellos, José Arbex Jr., Marcos Bagno, Gershon Knispel, MC Leonardo, Claudius e João Pedro Stedile, também abraçaram há anos o projeto editorial. Outro registro nesta história é para Clarice Alvon, do setor de livros e processos gráficos, e Neidivaldo dos Anjos, auxiliar geral, que fazem parte da equipe da editora desde seu início — entre muitos outros profissionais das áreas administrativa, logística, distribuição, financeira e marketing.

A revista recebeu prêmios importantes, entre eles o Prêmio de Direitos Humanos do Jornalismo, Prêmio Vladimir Herzog, Prêmio Ministério Público do Trabalho (MPT) de Jornalismo, e o Anamatra, oferecido pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho. Na entrevista abaixo, o diretor-geral da editora, Wagner Nabuco, aborda uma parte dessa jornada, crises, solidariedades e superações. Historiador de formação pela Universidade de São Paulo (USP), Nabuco atuou como diretor de marketing de revistas da Editora Abril e foi convidado para participar da sociedade de Caros Amigos ainda em outubro de 1997. Implementou o serviço de assinaturas e anúncios da revista. Com a saída dos sócios e a morte de Sérgio de Souza em março de 2008, Nabuco tornou-se o diretor-geral da editora.

Qual o significado dos 20 anos de Caros Amigos?

Pra mim em particular, e acredito que pra toda equipe que está trabalhando e por todos que passaram por aqui, completar 20 anos na nossa edição de abril é, sem nenhuma modéstia, um marco que nos orgulha. O mundo editorial impresso, das revistas e jornais, é muito difícil e Caros Amigos , com 20 anos, talvez seja, no campo da mídia progressista, o veículo impresso com maior duração. Exceto o Pasquim , que era um veículo de oposição à ditadura, mas com uma receita editorial diferente. Considero a Caros Amigos herdeira da tradição de uma mídia contra-hegemônica, independente e crítica aos poderosos, estejam eles no governo ou fora dele. Somos herdeiros dessa mídia que existe desde o Império, e que na ditadura teve um papel muito importante, chamada na época “imprensa nanica”. É uma tradição de gentes que se unem e abraçam um projeto de produzir um bom jornalismo contra-hegemônico.

Quais momentos destacaria nesta trajetória?

Um grupo de companheiros discutia, no final de 1996 e começo de 1997, a necessidade de criar um veículo em um momento que a força do pensamento neoliberal reinava absolutamente sozinha, a internet estava apenas começando. Era uma hegemonia massacrante do pensamento único neoliberal, com influência do Consenso de Washington. A chegada dos yuppies nas redações dos grandes veículos, e alguns deles até tinham tido um papel importante no combate à ditadura, e que estavam sendo dominados por essa visão neoliberal. Gerou uma mudança nas redações, os jornalistas mais experientes, com formação de esquerda e da chamada “velha guarda”, estavam sendo trocados por uma geração jovem que mal tinha ideia do que tinha acontecido durante o período da repressão. Um grupo de pessoas com publicitários, jornalistas, advogados, fotojornalistas e outros, liderados pelo Sérgio de Souza, o Serjão — um grande jornalista e um dos melhores editores de texto que o Brasil já teve, era luxuoso ter o Serjão como editor — esse grupo pensou e lançou a Caros Amigos em abril de 1997. Para surpresa de todos, as vendas nas bancas foram super bem. Porque existia uma vontade das pessoas de acharem algo pra ler que fosse um ponto de luz, um respiro em meio do que existia. O grupo que estava junto tinha muita gente que tinha tido experiência na imprensa nanica. Gente que tinha trabalhado no Movimento, Opinião, no Versus , Em Tempo, no Ex, gente que passou pela revista Realidade quando ela marcou época no jornalismo brasileiro… por tudo. Pela qualidade, pela abordagem gráfica, qualidade de texto, grandes reportagens, introduziu o new journalism. Esse grupo foi fundamental para que Caros Amigos nascesse forte e rapidamente ganhasse espaço nas bancas.

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Quando passou a participar do projeto?

Sempre tive o sonho de ter uma editora, uma revista. Minha formação é de revisteiro, trabalho com isso desde 1980, tenho uma paixão pelo conteúdo em si e pelo objeto. Me lembro que fui fazer um curso de inglês, com foco em marketing , pela Editora Abril em 1992, em São Francisco (Estados Unidos), e me lembro que uma professora pediu pra gente escrever no envelope o que imaginávamos que estaríamos fazendo no ano 2000 e eu escrevi, achei depois de muitos anos, e lá estava escrito: “nos anos 2000 quero estar com a minha editora, mexendo com revista”. Eu fui convidado ainda em abril de 1997, no mês de lançamento. A Marina Amaral, que foi editora assistente e também nossa sócia por um período, me convidou para participar. Marquei de conversar com o Serjão e o João Noro, que tinha muita experiência na edição de livros e era sócio da editora Casa Amarela, que era proprietária da marca Caros Amigos naquele momento. A Caros Amigos só ia para as bancas, eles não tinham know-how e conhecimento das operações de assinatura e mercado. Eu tinha vontade de fazer algo, já tinha saído da Abril e era um pequeno empresário. Eles me convidaram e aceitei ficar sócio. No finalzinho de 97, início de 98, comecei a implantar a operação assinaturas e a acompanhar de perto a operação bancas, que conhecia a partir da minha experiência de ter trabalhado como executivo da Abril. Entrei firme nessa questão de colocar as assinaturas de pé e, em março de 1998, começamos a vender as assinaturas já em um processo profissionalizado de controle, atendimento e distribuição. Nas bancas, as vendas foram boas, o número 1 vendeu por volta de 18 mil exemplares, o que foi um bom resultado. Não existia quase nada de oferta de conteúdo de esquerda, não tinha a internet como atualmente. A venda em bancas continuou crescendo até o ano de 2001, e ficou estabilizada ao longo de 2002. Mas a partir de 2003 começa a cair, por uma série de fatores, crise econômica, novos títulos no mercado, popularização da internet e mesmo a chegada do PT ao poder e as divergências que isso provoca na esquerda. Esse movimento de queda continua até 2012, quando estabilizamos novamente em um patamar menor de vendas. As assinaturas tiveram o mesmo movimento, de queda e estabilidade.

Quais foram as crises que marcaram a publicação e como elas foram superadas?

A chegada do governo Lula a partir de 2003 causou uma questão interessante. O governo Lula racha o País e também a redação em relação à abordagem que faríamos. Antes tínhamos uma clareza do ponto de vista das pautas, das matérias, dos encaminhamentos. Era um governo tucano, neoliberal, fazendo privatização, fazendo o que fez com o câmbio, quebrando o País duas ou três vezes e as possibilidades de pautas eram claras e imensas. Com o governo Lula, a maior parte da equipe e da redação, e entre os sócios, entendíamos que não poderíamos tratar o Lula como tratávamos o governo FHC. Isso começa a ficar difícil de tratar. Com a reforma da Previdência, em 2003, ficou claro que no conjunto dos nossos leitores da época havia uma divisão que depois se apresentou no seio da esquerda, inclusive dentro do Partido dos Trabalhadores: o que fazer com o governo Lula? Somos oposição ou não? Na reforma da Previdência, recebemos muitas cartas de leitores dizendo que tínhamos que fazer campanha contra a reforma e as propostas do Lula. Mas nós fazíamos e fazemos jornalismo e não podíamos assumir uma militância ou campanhas. Fomos críticos em relação à reforma, mas era muito difícil essa relação tanto na redação quanto com essa parte dos leitores. Naquela época e agora, mais ou menos entre 50% a 55% dos nossos leitores estão no setor público. São professores da rede pública, colegial e universitário, são supervisores de todo tipo, até gerência, de todas as áreas do serviço público. Uma grande parte desses leitores que achavam que a gente tinha que tomar uma posição à esquerda e de oposição ao governo Lula, como se tivéssemos que fazer uma militância, deixou de ler. Uma boa parte nos abandonou. A circulação começa a cair em agosto de 2003, imediatamente após a votação da reforma da Previdência. Nessa fase, a internet também está mais forte, outros veículos de esquerda começam a surgir e os outros veículos impressos do mundo inteiro começam a dar sinal de crise. E continuou a cair, só se estabilizou em um patamar ainda baixo nos últimos dois anos. A primeira crise aconteceu em 1998, a partir de uma discordância de entendimento que dois fundadores da revista tinham em relação a como se colocar na questão das eleições daquele ano. Me lembro que fizemos uma capa em que os leitores mandaram perguntas para os candidatos, FHC e Lula, e depois nós passaríamos a eles e publicaríamos as respostas. Entre os sócios, isso causou um estranhamento. O “Bigode”, Roberto Freire (1927-2008), um homem por quem tenho grande admiração, de uma generosidade imensa, coração de ouro, vinha de uma formação anarquista. Outros diretores e o Serjão achavam que devíamos votar contra o neoliberalismo. Isso os colocou em conflito, duas pessoas fundamentais na concepção da revista. Na origem, ela tem um traço bastante iconoclasta, com mais presença de cultura, textos mais abertos, muito pela influência do Bigode, do estilo dele. O Bigode e o Serjão romperam uma amizade de anos. Foi a primeira crise da redação, um dos sócios havia saído. Antes era eu, Serjão, João Noro, Roberto Freire, Jorge Brólio e Francisco Vasconcellos. Balançou a redação e a própria sociedade porque eles eram cabeça do projeto. É muito difícil que no mundo da comunicação, não só da imprensa escrita, mas da televisão, internet, rádio, não ter crise. Porque trabalhamos com pessoas que têm opinião sobre as coisas e especialmente à esquerda. A matéria-prima dessas pessoas é colocar o pensamento em cima de uma plataforma. Um enfoque em determinada matéria precipita uma crise. Tivemos essa crise, mas continuamos a tocar. Já a crise econômica de Caros Amigos vem desde o início de 2000. A editora prestava serviços editoriais para empresas, fazendo as publicações institucionais. Era uma linha de publicações que na verdade subsidiava, cobria o prejuízo que a revista já dava naquela época. Esses grandes clientes rompem o contrato em 1999/2000 e rapidamente passamos a operar no prejuízo. Aí entra outro elemento: o que é operar o prejuízo, manejar a crise e a rolagem de dívidas, buscar outro tipo de renda. Em 2006, essa crise gerou outra crise e a Marina Amaral, que era a editora assistente e havia se tornado sócia em 2000, também saiu. E aí chamamos o Mylton Severiano, o Myltainho, que veio pra ocupar o cargo (Mylton morreu em 2014). Quando chega em 2008, pra surpresa de nós todos, veio o falecimento do Serjão, uma morte inesperada, no mês de março. Nesta época só estávamos eu e o Sergião como sócios. Foi difícil, muito difícil.

Myltainho assume a redação e fica até 2009. Com a saída de Myltainho, assume Hamilton Octavio de Souza, que fica de abril de 2009 a março de 20013. As saídas de Myltainho e Hamilton também foram traumáticas e, com eles, saíram também quase toda a redação que eles haviam montado. Dois motivos básicos levaram a essas saídas: crise financeira e divergências sobre a linha política editorial. No entanto, cada um deles colaborou para a manutenção do projeto e a continuidade da Caros . Em abril de 2013, a direção de redação é assumida pelo jornalista Aray Nabuco, que também impulsionou o site e redes sociais, além de coordenar mudanças de layout no ano passado e do formato recentemente. Nós sobrevivemos a essas crises porque conseguimos, ao longo do tempo, fidelidade, credibilidade, apoio de muitos e muitos leitores de banca e assinantes por esse Brasil todo. E porque um conjunto muito grande de amigos e colaboradores continuaram ajudando e participando. Não posso nomear porque são tantos, voluntários, que passaram ou continuam. Cito dois, como uma homenagem aos tantos outros: Frei Betto e Guto Lacaz, que estão desde o primeiro número.

Como funciona essa questão da publicidade e sobreviver em banca em uma época que a internet cresce?

Uma revista ou jornal tem, basicamente, inclusive pra manter sua independência, três fontes de receita: a receita de circulação, que é de venda em bancas e assinaturas, e a receita da publicidade. Nós temos aqui um conjunto de princípios editoriais, que chamamos de “Decálogo de Caros Amigos ”, que diz claramente que nossas receitas vêm de bancas, assinaturas e publicidades, não entramos em nenhum tipo de “ branded content ” (o “publieditorial”), publicidade que é veiculada como editorial. Aqui a regra é a antiga: publicidade é publicidade, editorial é editorial. Acontece que entre essas três receitas, a principal é a publicidade. No nosso caso, esta sempre foi uma receita com muita dificuldade. Primeiro porque tem uma tradição no mundo inteiro que as revistas que marcadamente assumem uma posição, e principalmente à esquerda do espectro político, sofrem com o problema de não conseguir anúncio. Seja na França, na Itália ou nos Estados Unidos. No caso do Brasil, isso é maximizado pela estrutura conservadora do País de um lado, e de outro, pelos sistemas de remuneração das agência de publicidade. Desde o lançamento, raramente conseguimos um anúncio na iniciativa privada. Não que não queremos, pelo contrário, vamos nas agências todo mês atrás de anúncios, que sejam adequados pro nosso público. O diretor de mídia, que planeja as compras do espaço de publicidade, tem preconceito e medo de que suas marcas sejam arranhadas. É um preconceito que está arraigado e é muito difícil de combater, principalmente quando está sendo combatido por pequenos veículos como o nosso. Sempre tivemos um pouco de receita de publicidade nas grandes empresas estatais que até por questão de um pouco mais de isonomia ou republicanismo também tinham que anunciar em veículos menores. Mas nos últimos anos, principalmente no final do primeiro mandato da Dilma, nossa receita de publicidade caiu mais de 60%. O que nos levou a uma situação mais difícil de endividamento mesmo e endividamento junto aos bancos que cobram os juros que é impossível qualquer atividade econômica pagar. Apesar disso, viemos tocando com a receita de bancas, assinaturas e pouca receita de publicidade. Além disso, produzimos as edições temáticas e projetos especiais patrocinados, que ajudavam a cobrir o prejuízo. Os projetos especiais ficaram difíceis nos últimos anos, apesar do esforço da nossa parceira Cecília Figueira de Mello, a Ciça, que coordena esses projetos.

E a crise em relação à mídia impressa e o jornalismo?

Penso que sou minoria em minha posição, mas continuo acreditando que a mídia impressa tem um papel a cumprir no consumo de informação, que é um papel que sempre foi relevante e acho que ele pode se tornar ainda mais relevante. É uma crise hoje, mas pode ser uma oportunidade, porque com a massificação do acesso à internet, a quantidade de gentes que foi incorporada é imensa. Mas esse acesso causou e causa uma cacofonia tão intensa de informações que ali se mistura tudo. Não se sabe o que é notícia, não sabe o que é fake news , a tal da pós-verdade, não se sabe o que é entretenimento, o que é patrocinado, artigo opinativo, matéria de apuração, a credibilidade das fontes.

Tem dois monopólios que dominaram isso: Facebook e Google, em que tudo vale. Quem for capaz de manter o rumo e a tenacidade pra continuar produzindo bom jornalismo, que no meu entendimento é a reportagem, a boa apuração, dar análise e aprofundá-las, ter coragem de ter opinião, quem deixar claro a partir de que ângulo está enxergando vai marcar diferença e vai ficar, inclusive o veículo impresso. Desse ponto de vista do que é o bom jornalismo, não há nada melhor que o impresso para aprofundar um tema. É da natureza da plataforma digital ser muito mais dispersiva, enquanto a relação que o leitor estabelece com o livro, jornal ou revista, é quase carinhosa. Obriga mais a concentração. Não é questão de se colocar em antagonismo, acho que o bom jornalismo que vai ser produzido na internet também vai fazer diferença. E estamos fazendo nossa edição e venda da assinatura digital, devagar, mas estamos conseguindo crescer. Já temos um número razoável de assinantes somente digitais. Tanto na impressa, quanto na plataforma digital,vai sobreviver quem fizer bom jornalismo. Estamos aqui com esses princípios e com eles teremos chances de continuar por mais vinte anos, mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos e não são poucas. Preciso enfatizar que sempre agradeço mesmo as equipes internas que passaram aqui e entendem a dificuldade e compraram a ideia do projeto editorial e nos ajudam, estão nessa luta. Mas também preciso dizer, e posso dizer com conhecimento de causa, e os jornalistas também sabem, raramente se encontram numa redação a liberdade pra escrever e propor pauta como aqui, respeitado os princípios básicos que temos. Esta liberdade é coisa rara hoje no jornalismo. Eu acredito que é disso que nasce e fortifica a qualidade do jornalismo.

Qual a perspectiva do fazer jornalístico nessa nova conjuntura pós-golpe?

Penso que o ofício, gosto de falar ofício porque remete ao artesanato, ao cuidado do fazer, o ofício de jornalismo terá uma bela oportunidade com tudo que está aí. Essas perspectivas oferecem pra nós um caminho pra continuar trabalhando. E a conjuntura do Brasil do jeito que está confusa, muito conservadora, estamos em um momento de retrocessos de todo tipo, em que as forças reacionárias deram um golpe e estão aplicando uma receita pra lá de ultraneoliberal. Essa conjuntura, pra uma revista como a gente, marcadamente de esquerda e contra todo esse reacionarismo, oferece oportunidade de boas matérias, boas análises, furos, boas reportagens. Como eu sempre digo: nós não produzimos panfleto militante, produzimos jornalismo. No nosso decálogo tem um item que diz que não nos filiamos a partido ou governos ou quaisquer outras organizações e movimento. Nossos compromissos são com nossos valores. O compromisso com nossos leitores e leitoras são referenciados nos nossos princípios. De fato, fazemos diferente. Temos nossos valores editoriais que colocamos a serviço de uma busca por um projeto de sociedade mais justa e mais igualitária.

Lu Sudré é jornalista.

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