Festival exibe curtas dirigidos por mulheres da nova geração de cineastas brasileiras

Cultura
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Evento gratuito também realiza oficina de roteiro exclusiva para mulheres e roda de bate-papo

Da Rede Brasil Atual

Segundo o Anuário Estatístico do Cinema Brasileiro de 2015, produzido pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), obras brasileiras dirigidas exclusivamente por mulheres são minoria entre os filmes nacionais. "Dos 129 títulos lançados em 2015, 100 foram dirigidos exclusivamente por homens, o que representa 77,5% do total". Isso significa que no Brasil, a produção cinematográfica ainda é predominantementedominada pelo sexo masculino.

É exatamente por isso que em 2014, diretoras e roteiristas brasileiras se reuniram para criar o Coletivo Vermelha, que se propõe a pensar criticamente a condição feminina e as relações de gênero, com a intenção de empoderar, dar visibilidade e criar um ambiente de cooperação entre as mulheres do audiovisual.

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Foi este coletivo que fez a curadoria do FestivalCurta as Minas, que exibe no Sesc Campo Limpo, de 7 a 10 de março, curtas-metragens dirigidos apenas por mulheres da nova geração de realizadoras brasileiras. Além das quatro sessões de filmes, o evento promove durante os dias de festival uma oficina de roteiro e, no dia 8 de março, realiza uma roda de conversa com as diretoras.

No dia 7, às 20h, a sessão Mulheres e o Real abre a programação da mostra com cinco filmes: a animação Desventuras de um Dia ou A Vida Não é um Comercial de Margarina, de Adriana Meirelles; No Devagar Depressa dos Tempos, de Eliza Capai; As Minas do Rap, de Juliana Vicente; Do Portão pra Fora, de Letícia Bina; e Jessy, de Paula Lice.

No segundo dia da mostra serão exibidos os curtas Cycle, de Raquel Sancinetti; Kbela, de Yasmin Thayná; e o documentário Quem Matou Eloá, de Livia Perez. Na sequência, haverá uma roda de bate-papo sobre o espaço da mulher na produção audiovisual contemporânea com as cineastas Eliza Capai, Erika Cândido, Beatriz Pessoa, Letícia Bina e Ligia Pereira, com mediação de Manoela Ziggiatti, do Coletivo Vermelha.

A sessão "Mulheres e o Medo", no dia 9, traz os filmes A Mão que Afaga, de Gabriela Amaral Almeida; Pra Eu Dormir Tranquilo, de Juliana Rojas; Os Mortos-vivos, de Anita Rocha da Silveira; e O Bom Comportamento, de Eva Randolph. Mulheres e Resistência, no dia 10, traz o filme CEP 05300, das diretoras Adria Meira, Lygia Pereira, Camila Santana; A Boneca e o Silêncio, de Carol Rodrigues (ambos sobre aborto); Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares, sobre uma relação abusiva; e Crônicas do Meu Silêncio, de Beatriz Pessoa, que apresenta um manifesto sobre a violência contra a mulher.

Um dos destaques da programação é o curta No Devagar Depressa do Tempo, em que Eliza Capai conta as mudanças que a renda do Bolsa Família levou para a vida das mulheres do sertão nordestino, mais especificamente às de Guaribas, cidade piloto para a implantação do programa. Ela conversou com mulheres de duas gerações para saber como era, como é e como pode (ou poderia) ser a vida de quem acabava de cruzar a linha da pobreza, em 2014. Capai também dirigiu os filmes Severinas, sobre o mesmo tema, É Proibido Falar em Angola, o longa-metragem Tão Longe é Aqui, entre outros.

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