RJ: Peça aborda transfobia a partir de assassinato de brasileira em Portugal

Cultura
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O crime contra a transexual Gisberta impactou a comunidade internacional 

Da Redação

Gisberta Salce Júnior, mulher trans, foi cruelmente assassinada em Portugal no ano de 2006. Desconhecida no Brasil, sua história se tornou o enredo da peça de teatro Gisberta, que denuncia a onda de intolerância e conservadorismo que cresce no mundo. A obra entra em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Rio de Janeiro a partir de 1º de março e fica em exibição até o fim do mês de abril.

Uma pesquisa realizada pela organização não governamental (ONG) Transgender Europe (TGEU), afirma que o Brasil responde por 42% dos 295 casos de assassinatos de pessoas trans registrados em 2015 no mundo, o que faz do país o que mais mata pessoas trans e travestis. A transgeneridade refere-se à condição na qual a identidade de gênero de uma pessoa é diferente daquela atribuída ao gênero designado no nascimento, definido a partir da genitália.

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Sobre o abismo

Foi justamente pelo medo de ser assassinada que Gisberta fugiu aos 18 anos, em 1979, e foi a Paris. Após dois anos, mudou-se para Porto onde fez sucesso na noite gay. Posteriormente, "Gis", como era carinhosamente chamada, contraiu Aids e tomava medicação controlada. Ao presenciar o atropelamento de seus dois cães, a transexual ficou depressiva. Neste momento afastou-se dos seus amigos e perdeu o visto. Tornou-se uma imigrante ilegal e passou a morar na rua. No final de 2005, abrigou-se em um prédio abandonado e foi assassinada por um grupo de meninos que, após agredi-la e torturá-la psicologicamente por dias, jogou seu corpo em um poço. 

O monólogo é interpretado por Luis Lobianco, que apresenta vários personagens com texto concebido a partir de relatos obtidos em contatos pessoais com a família de Gisberta, do processo judicial e de visita ao local da morte.

"A reação para o rompimento com padrões sociais é uma explosão de violência cotidiana sem precedentes. Quanto mais ódio, mais a afirmação da identidade se impõe. No ar a sensação de um grande embate mundial iminente – não tem mais como se esconder no armário. Ser livre ou servir à intolerância: eis a questão", declara Lobianco, idealizador do projeto.


Serviço

Centro Cultural Banco do Brasil (Teatro III)
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro (tel. 21 3808-2020)
Estreia dia 1º de março,às 20h
Temporada: Quinta a domingo, às 19h30, até 30 de abril
Venda na bilheteria de quarta a segunda, das 9h às 21h ou pelo site www.ingressorapido.com.br
Ingresso: 20 (inteira) e 10 (meia)
Classificação 14 anos
70 minutos
Drama

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