'Amar Sem Temer': a Parada LGBT mais política dos últimos anos

Cotidiano
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Contra a transfobia e pela lei de identidade de gênero, a 20ª Parada do Orgulho LGBT foi marcada por protestos contra Temer

Por Keythe Tavares
Da Mídia Ninja

Aconteceu na Av. Paulista, em São Paulo, neste domingo (29), a 20º edição da Parada do Orgulho LGBT, que reuniu cerca de 2 milhões de pessoas com muito colorido e animação. Essa edição foi marcada pelo apoio à causa Trans e por protestos contra o governo golpista de Michel Temer. O evento é considerado o maior do mundo em apoio à diversidade sexual.

Os participantes se concentraram em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo), na Avenida Paulista, por volta das 10h, e o trajeto seguiu a Rua da Consolação, finalizando na praça Roosevelt.

Sob o tema "Lei de identidade de gênero, Já! Todas as pessoas juntas contra a transfobia!", o objetivo é de unir a todos em uma grande campanha para que a Lei de Identidade de Gênero (PL 5002/2013), que tramita na Câmara dos Deputados, seja aprovada.

“Nós trans temos que nos aceitar e fazer diferença. Mas tem que ter uma lei que nos proteja porque a transfobia mata um monte de trans todo dia. Tem que ter um jeito de proteger nossos direitos básicos de um jeito que nos dê liberdade de vivermos sem medo”, disse a cabeleireira, Fernanda Bela.

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“Com o Temer e a bancada evangélica fica difícil não só para LGBTs como para mulheres, negros, ou qualquer minoria que precise de proteção e direitos específicos para sobreviver. É inacreditável que eles querem mudar a lei de assistência às mulheres que são estupradas, também a lei do nome social, não faz sentido esse retrocesso. A gente pode ver que vem coisa maior por aí, vejo como um reflexo da ditadura. Os protestos e manifestações de indignação como a de hoje serão essenciais para derrubar esse governo golpista", afirmou um dos participantes da parada, Rodrigo Gonçalves.

A população LGBT vai contra o fim dos direitos já conquistados, como o do uso do nome social, que foi reconhecido em decreto publicado em abril pela Presidente Dilma Rousseff, antes do seu afastamento pelo processo de impeachment, e agora está sob ataque da ala conservadora.

O decreto passou a permitir que travestis e transexuais, funcionários ou usuários, usassem o nome social em todos os órgãos públicos do governo federal. Na quarta feira, 18 de abril, vinte e nove deputados de dez partidos - PSDB, DEM, PSB, PSC, PV, PR, PRB, PROS, PTN e PHS - apresentaram e assinaram um projeto para revogar esse decreto.

“O golpe foi algo que veio para desestabilizar o avanço dos direitos LGBTs. Nós somos um casal e temos duas filhas que foram registradas tendo nosso nome lá na certidão como mães. Agora a gente teme o que pode acontecer com esses direitos. Não sou a favor da Dilma, mas o retrocesso que o governo do Temer trouxe é visível. Perdemos direitos e vamos perder mais se ele continuar no poder,” alertou Simone e Regiane, que levaram as duas filhas para acompanhar o percurso.

Simone e Regiane tem razão, pois outro risco que se corre é a aprovação do Estatuto da Família ( Projeto de Lei 6583/2013 ), que está atualmente parado na Câmara dos Deputados. O Estatuto vai definir como é formada uma família, o que, para a bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia), se trata da união entre apenas um homem e uma mulher. Se aprovado, ele ameaça os direitos que já foram adquiridos, sendo o principal deles a união civil entre casais do mesmo sexo, aprovada em 2011 pelo Supremo Tribunal Federal.

 

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