Hospital universitário da USP vive sua pior crise, diz médico; alunos estão em greve

Cotidiano
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O HU é o único hospital da região que tem unidade de terapia intensiva e não consegue utilizar 40% do leito

Por Norma Odara
No Brasil de Fato

Leitos fechados, médicos pedindo demissão, estudantes sem estrutura para aulas, população sem atendimento. É esta a realidade narrada pelo médico Gerson Salvador, sobre a situação do hospital da Universidade de São Paulo, localizado no bairro do Butantã, Zona Oeste da capital paulista.

"O HU (Hospital Universitário) vive a pior crise da sua história, a partir de uma ação deliberada da reitoria da USP. O HU é o único hospital da região que tem unidade de terapia intensiva. Acontece que 40% do nosso leito de terapia intensiva a gente não consegue usar. Uma situação muito grave que sobrecarregou os médicos", disse.

Salvador, que atende no pronto-socorro do hospital e é diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (SIMESP), diz que a atual crise é reflexo do "boicote da reitoria". Segundo ele, há ainda um Plano de Demissão Incentivada, proposto pelo reitor Marco Antônio Zago.

Já Maria Luiza Corullon, estudante de medicina e presidenta do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, a situação vivida hoje pelo hospital universitário pode levar ao seu fechamento, caso nada seja feito para reverter a situação.

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"Da pra ver vários leitos fechados, dá pra ver que a UTI estava completamente fechada e, sobretudo, dá pra ver o desespero dos nossos amigos internos, que são do quinto e sexto anos, de números de procedimentos que eles fazem caindo, número de médicos cada vez diminuindo, os professores que deram aula pra gente indo embora porque não aguentam mais a sobrecarga", lamentou.

Frente a esta situação, mais de 450 estudantes de medicina, durante uma assembleia realizada na quinta (9) decidiram pelo indicativo de greve na instituição, que iniciou na segunda (13). Um ato ocorreu às 17 horas da terça-feira (14), em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), na região central. Eles reivindicam, entre outras coisas, mais contratações. 

Já a reitoria da Universidade, em nota, se posicionou contra a greve dos alunos, sinalizando ter esforços para viabilizar um convênio com a Secretaria Municipal de Saúde, a fim de garantir o funcionamento do Pronto Socorro. O convênio estaria aguardando apenas as assinaturas das autoridades municipais.

 

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