Isenções fiscais no Rio geraram empresas e não empregos, afirma Marcelo Freixo

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Deputado estadual conversou com o Brasil de Fato e disse que será candidato à Câmara Federal em 2018

Por José Eduardo Bernardes
Do Brasil de Fato

A crise no Rio de Janeiro não se dá pela queda acentuada do preço do petróleo nos últimos anos, ela se arrasta há pelo menos 10 anos, como avalia o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). O psolista explica que, nos últimos anos, o Estado alavancou o crescimento de empresas privadas para um nível muito maior do que qualquer outro da federação.

Caminhando para o que deve ser o seu último ano na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Freixo anuncia que dará novos rumos para a carreira política em 2018: se lançará como deputado federal para evitar a cláusula de barreira, aprovada pelo Senado neste mês de outubro, que pode barrar a atuação do partido no Congresso.

Em entrevista exclusiva para o Brasil de Fato, o deputado estadual também comenta sobre a invasão militar na Favela da Rocinha e das perigosas declarações do general do Exército, que cogitou uma nova intervenção no país.

Confira:

Eu queria que você falasse um pouquinho do cenário do Rio de Janeiro, e porque o Estado chegou nessa condição.

Marcelo Freixo- Essa crise vem se desenhado há muitos anos, os números são muito contundentes aqui no Rio de Janeiro. A dívida do Estado era de R$ 50 bilhões em 2007. Hoje é de R$ 122 bilhões. De 2015 para cá, tivemos mais isenção fiscal do que a gente arrecada em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Essa política de isenção fiscal serviu para gerar empresas e não emprego. É uma política econômica que favoreceu ao capital e não ao trabalho gerando mais desigualdade, descontrole fiscal e irresponsabilidade pública. Não é o preço do petróleo, está longe de ser o preço do petróleo. Isso vem se desenhando como modo de gestão irresponsável há 10 anos, pelo menos.

E como efeito disso passaram a privatizar empresas estatais como a CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos). No governo federal também há uma onda privatista, de ataque à soberania nacional.

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O ataque à soberania nacional está colocado já há algum tempo do golpe. O golpe é um ataque à soberania nacional, é um ataque à democracia. O golpe é um processo, ele não é um fato, o golpe não é a troca de um presidente por outro, o golpe não é só a interrupção democrática representativa. O golpe é uma economia, é um projeto de poder onde você tem um governo com menos de 3% de aceitação. Eu costumo dizer que o governo Temer é uma margem de erro, um governo que tem 3% de aceitação é um governo que não governa para ninguém.

Há um ataque propagado por traficantes aos terreiros no Rio de Janeiro. Isso pode ser um sintoma da eleição de Crivella para a prefeitura do Rio e um crescimento do fundamentalismo religioso?

Acho que não dá para fazer esse vínculo direto, seria muito temerário da minha parte dizer que a eleição do prefeito, por ser evangélico, tem relação direta com a intolerância religiosa nos terreiros. Evidente que é um salto na violência que a gente não está acostumado a ver, sempre houve intolerância, sempre houve violência contra as religiões de matriz africana, mas nunca este tipo de violência. Uma violência armada, ameaçando, quebrando os terreiros, isso não.

A invasão da Rocinha por militares do Exército foi uma ação precipitada, uma jogada de marketing do governo? 

O exército tem outras funções na Segurança Pública que não é essa. Se o exército quiser ajudar na violência urbana, ajuda no controle do tráfico de armas, vai nos aeroportos. A Marinha pode ir na Baía de Guanabara, pode monitorar melhor os serviços de inteligência através da troca de informação, mas não ocupando a favela, sabe. É uma tragédia, não tem qualquer efeito. A ideia do simbólico de um tanque subir a Rocinha para imaginar que a comunidade está mais segura é realmente atroz em termos de resultado e a gente sabe disso. O exército aí não mudou absolutamente nada.

Ainda sobre os militares, como você viu as recentes declarações de um general, cogitando uma nova intervenção militar

Eu acho que a gente precisa estar atento a isso, eu não quero desprezar isso como uma fala sem sentido. Não foi uma fala qualquer, de uma pessoa qualquer e não foi uma única fala. Isso nunca resolveu o problema da democracia em nenhum lugar do mundo. A intervenção militar, para resolver crise de representatividade, gera ditadura, não gera democracia e isso não é aceitável diante de um país que viveu 21 anos de uma ditadura civil militar das mais violentas.

Como você tem visto o cenário que se desenha para as eleições de 2018?

Eu sempre digo o seguinte, nossos sonhos não cabem nas urnas. A gente sonha mais do que pode caber. Agora os pesadelos podem caber. Então, é importante que a gente não desconsidere as eleições, não desconsidere o processo eleitoral institucional, ele é importante. Não acho que a extrema-direta vença a eleição de 2018, mas eles podem cristalizar uma eleição de direita que nos dê um prejuízo de 20 anos, a esquerda precisa ser cristalizada também ou pelo menos uma outra esquerda. Eu venho candidato a deputado federal para fazer com que o PSOL possa passar a cláusula de barreira. O meu papel nesse projeto é esse, mas eu estou debatendo aqui as candidaturas do Senado, Presidência, Deputado Estadual, enfim, a gente está aqui organizando a casa.

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