A TAREFA É FORTALECER AS LUTAS SOCIAIS

Por Redação

 

Jovens que organizaram os atos pelo passe livre falam sobre as maiores manifestações vistas no País

No final de junho, quando ainda ecoava o som das milhares de pessoas que foram às ruas protestar contra o aumento das passagens e várias outras bandeiras desfraldadas nas maiores manifestações ocorridas no Brasil nas últimas décadas, Caros Amigos reuniu na redação representantes de entidades que organizaram os atos. Como característica comum os representantes do Movimento Passe Livre (MPL), da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel, ligado ao PSTU), do movimento Juntos! (ligado ao PSol) e do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) têm o fato de serem jovens, declararem-se de esquerda e ligados aos movimentos sociais, estarem desde o início na coordenação das manifestações e enfrentarem a polícia nos seus momentos mais violentos. Nesta entrevista exclusiva falam sobre as expectativas no início dos atos, da repercussão que houve, da organização pela Internet e sobre a sociedade que almejam, entre outros assuntos.

Caros amigos – No início das manifestações, o que vocês esperavam? Havia a expectativa de chegar aos milhões que acabaram indo para as ruas?

Erica de Oliveira, MPL – Quando nos propusemos a lutar contra o aumento junto a uma série de organizações de esquerda, a gente imaginava fazer uma luta grande, mas de fôlego curto. Tínhamos consciência de que sendo vitoriosa em São Paulo se alastraria para outras cidades. Mas a proporção que tomou surpreendeu não só o movimento, como a todo mundo. Existia uma demanda reprimida não só pela questão do transporte, mas por estar nas ruas mesmo. Por que as pessoas resolveram sair às ruas agora e não antes? Acho que tem algumas explicações, uma é a própria manifestação do Passe Livre, que já faz luta na cidade há muitos anos, desde 2005. Outra vem da própria demanda por transporte coletivo, acho que em 2013 foi dado um “chega” a uma situação que se arrasta por décadas. É resultado de uma opressão cotidiana que as pessoas vivem pela tarifa e pelas próprias condições do transporte.

Gabriel Simeoni, MTST – Existiam alguns consensos quando a gente começou essa luta contra o aumento. Um deles é que as mudanças se faziam por dentro das instituições, por dentro do Estado ou por meio das eleições. Não seria possível barrar o aumento e a maioria da sociedade apoiava as medidas do governo. Esses três consensos caíram em quinze dias. Importante dizer por quê. Primeiro, nós nunca acreditamos, enquanto MTST, que o reino da bonança aconteceria por dentro das instituições. As grandes instituições que hegemonizaram o movimento de massas nos últimos 25 anos, CUT, PT, UNE e MST (caso mais complexo), hoje fazem parte do governo federal. A direção, ao se identifi car com o governo, levava a um grande vazio na luta e a canalizava para dentro das instituições. Não acreditamos que a instituição seja pouco importante, mas, ao mesmo tempo, a gente sempre acreditou que sem luta de massa, sem luta de rua, as mudanças não aconteceriam. Acreditávamos ser possível barrar o aumento, talvez não da forma e na velocidade com que aconteceu, mas se a gente não acreditasse não tinha começado. Estamos juntos com o MPL há alguns anos e temos lições, como as de Salvador, Florianópolis, que já fizeram o que nós fazemos hoje. Nunca acreditamos que essa luta pudesse chegar a milhões, acho que ninguém podia prever isso, mas apostávamos que era possível derrubar a tarifa.

Maurício Carvalho, Juntos – A gente apostava ser possível fazer uma luta muito forte e, dependendo do nível de organização, vencer. Primeiro porque a situação do transporte em São Paulo chegou a um estágio de insustentabilidade brutal. Todo mundo que pega ônibus ou metrô vê a situação, o que gera indignação popular muito grande. E havia um elemento diferente, pois o aumento das passagens já estava anunciado para o meio do ano. Então, a gente sabia que tinha tempo de organizar, conversar nas escolas, nas universidades, nos locais de moradia, de trabalho, nos bairros. Fora isso, havia a avaliação de que as situações nacional e mundial também estavam mais favoráveis. Em 2012 já tinham ocorrido lutas como, por exemplo, a dos bombeiros, a Marcha da Liberdade, as Marchas das Vadias, os atos contra o Feliciano... Já havia uma retomada da cultura de rua. As eleições também demonstraram que havia uma insatisfação generalizada com os transportes e, ao mesmo tempo, a situação mundial estava mudando. Existiam mobilizações em vários países, como a Primavera Árabe, a ocupação de praças na Europa e o caso da Turquia, que foi bastante explosivo. Então, esse caldo de coisas, além do aprofundamento da crise econômica, permitia que a luta chegasse a muito mais gente.

Arielli Moreira, Anel – Acho que o principal elemento desde o princípio dessa mobilização foi a combinação entre a situação de completo abandono dos serviços públicos com a preparação do País para um evento do porte da Copa do Mundo. A contradição entre os estádios suntuosos e a qualidade dos serviços públicos de saúde, transporte e educação. Isso se transformou num catalisador do processo de mobilização, que acompanha também o processo internacional e a dinâmica do que vinha acontecendo em nosso País. Não é à toa que chegamos neste semestre ao maior número de greves dos últimos anos. Acho que a mobilização da juventude é um termômetro, um fenômeno mais estrutural do que se passa no País, de questionamento de tudo que está acontecendo e da dinâmica da política econômica aplicada pelo governo. Outra coisa que chama muito a atenção também é o fato de tanto a UNE quanto a CUT, organizações tradicionais do movimento, não estarem à frente desse processo, principalmente porque ambas passaram a representar os interesses do governo.

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A DAMA DO MAR

Por Eliete Negreiros

Dama do Mar, peça do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, escrita em 1888, foi adaptada por Susan Sontag especialmente para Bob Wilson encená-la. Como parte de seu modo de pensar e fazer teatro, Bob Wilson assina a direção, o cenário e a luz desta peça que foi apresentada nos palcos do teatro do Sesc de Santos e de São Paulo. Henrik Ibsen nasceu na Noruega, em 1828. Influenciou toda uma geração de dramaturgos, entre os quais August Strindberg e Bernard Shaw. De origem puritana, em sua juventude abraçou ideias socialistas vindo depois a ser influenciado pelo filósofo existencialista Sören Kierkegaard.

Robert Wilson nasceu no Texas em 1941 e está entre os principais artistas do teatro experimental contemporâneo “um explorador nos usos do tempo e espaço no palco” segundo o The New York Times. Seu teatro integra de modo inovador uma grande gama de linguagens artísticas: dança, mímica, música, luz, escultura, texto, cenário.

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CLIMA DE REVOLTA E REPRESSÃO

Por Gershon Knispel

“Se você não está satisfeito com o seu povo, troque-o” (Bertold Brecht, 1953)

Essa frase de Bertold Brecht foi resposta a Wilhelm Pieck, presidente da República Democrática Alemã (Alemanha Oriental), quando o povo se revoltou depois da morte de Stalin, em 1953. Agora, antes da minha volta de Israel, bastante deprimido, preparei um artigo sobre todas essas revoltas, repressões sangrentas, que estão pegando fogo em todo o Oriente Médio. Mas joguei o artigo fora porque, após sair de um continente e chegar em outro apenas 14 horas depois – quando há poucas décadas isso levava semanas – perdi a noção de ter realmente viajado, deparei no Brasil com o mesmo clima de revoltas e repressão. Procurei esclarecer se tinha havido um engano e eu havia chegado a outro destino.

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COLEIRA ELETRÔNICA

Por Frei Betto

Não sou afeito a cães, embora reconheça o quanto são úteis. Guiam cegos, localizam pessoas perdidas em florestas e montanhas, vítimas de desabamentos e terremotos, farejam drogas, vigiam domicílios, fazem companhia a crianças, idosos e solitários. 

A coleira é o que me dá pena nos cães. É necessária, em especial quando vão à rua, mas constrange. Inverta-se a posição. Seria horrível andar por aí de coleira no pescoço, os limites dos passos determinados por puxões e frouxidões.

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A NOVA CLASSE MÉDIA E A NOVA NORMA URBANA CULTA

Por Marcos Bagno

 

É de grande importância para as questões sobre língua e ensino no país o que ocorreu nos últimos dez anos: a maior redução de pobreza da história do Brasil e a consequente ascensão da chamada nova classe média, um fenômeno reconhecido até mesmo pelos nossos meios de comunicação mais conservadores. Numa reportagem de 2008, a revista Época, após descrever o fenômeno, admitia: “Conhecer a nova classe média brasileira é, portanto, fundamental para entender o futuro do Brasil”. E levantava as seguintes questões. “Quem são essas pessoas? Como melhoraram de vida? Que impacto podem provocar? Quais desafi os trazem para o país?”

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A LEGÍTIMA VOZ DAS RUAS

 

Raras vezes na história do Brasil viu-se uma mobilização de massas como a ocorrida a partir de meados de junho, iniciada na luta pelo passe livre no transporte público, movimento legítimo já conhecido de vários anos. Dessa vez, porém, uma insatisfação latente com governantes, ausência de direitos do cidadão, mazelas políticas e velhas estruturas, sejam partidárias ou estatais, explodiu nas ruas do País em gritos tão díspares quanto as pessoas que engrossavam os cordões. O grito das ruas ainda está por ser totalmente compreendido em seu fenômeno massivo, mas está claro que é um recado de novos tempos; um recado para que instituições de Estado, governantes, partidos, sindicatos e políticos se sintonizem com o que clama o povo trabalhador, sabedor, desde sempre e mais do que ninguém, onde o calo aperta.

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O BRASIL PRECISA DE MUDANÇAS

Por João Pedro Stedile

Nas últimas semanas as ruas das principais cidades brasileiras foram tomadas por milhares de pessoas exigindo mudanças. No início, era apenas a juventude, capitaneada pelo Movimento Passe Livre, exigindo redução das tarifas de ônibus, em seguida, foram sendo ampliadas com novos atores sociais. Todos pedindo mudanças.

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