Ideias de Botequim - Contradições em andamento

Por Renato Pompeu

De um lado, os padrões de consumo da população brasileira exigem mais energia. De outro, as populações ribeirinhas de Belo Monte têm direitos seculares e até milenares, no caso dos índios, a suas terras e a seus modos de vida particulares. Tudo isso é discutido no livro Belo Monte – o Estado Democrático de Direito em Questão, de Maíra Borges Fainguelernt, geógrafa e assessora da Secretaria Estadual da Educação do Rio de Janeiro, edição da Apicuri. Diz a apresentação: “A obra tem por objetivo dar maior visibilidade às resistências e àqueles que se opõem à construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Com o compromisso de afirmar o caráter social e político das produções acadêmicas da universidade pública, a autora aceitou, com seriedade, o desafio de mergulhar num universo complexo e novo”.

Armênio Guedes

Como conciliar a igualdade e a liberdade? Essa velha questão da sociedade ocidental, que tem seu paralelo com a questão também milenar de como conciliar a comunidade e a efi ciência nas sociedades não-ocidentais, é o fulcro da biografia Armênio Guedes – Sereno guerreiro da liberdade, do jornalista Sandro Vaia, publicada pela Barcarolla. Guedes, dirigente do antigo PCB, foi um dos primeiros marxistas não-trotskistas brasileiros a levantar a questão da falta de democracia no socialismo real. Diz o prefácio do poeta Ferreira Gullar: “Esta biografia política de Armênio Guedes vale por uma história síntese do Partido Comunista Brasileiro, no que ela tem de essencial: o propósito de mudança revolucionária da sociedade brasileira e os acertos e erros na condução dessa tarefa. (....) Para quem, como Armênio Guedes, nasceu um ano depois da Revolução Soviética de 1917, o caminho natural para alcançar aqueles objetivos era a adesão às ideias marxistas e à militância no Partido Comunista. Foi o que aconteceu, comas consequências que ele não poderia prever”.

LêninLênin

Falando em comunismo, até que ponto as ideias de Lenin continuam atuais e até que ponto nelas já estavam embutidas as mazelas e a falência do socialismo real? Uma iniciação a essa questão pode ser o opúsculo Breve História Ilustrada de Lenin, de Elio Bolsanello, em quinta edição pelo Centro Cultural Manuel Lisboa. Outra obra introdutória a esse problema sobre a diferença entre as promessas e as realidades do socialismo é A Mulher e a Luta pelo Socialismo, com textos de Marx, Engels, Clara Zetkin e Trotski, edição José Luis e Rosa Sundermann.

Fé e Saber

Outra contradição atualíssima é entre o secularismo e a religiosidade. No livreto Fé e Saber, diz o filósofo alemão Jürgen Habermas: “É certo que, do ponto de vista do Estado liberal, só merecem o predicado ‘razoáveis’ as comunidades religiosas que, segundo seu próprio discernimento, renunciam à imposição violenta de suas verdades de fé (...). Na verdade, porém, esse trabalho reflexivo dá um novo passo a cada confl ito que irrompe nos campos de batalha da esfera pública democrática”. É um lançamento da Editora Unesp, como outra obra sobre religião: Introdução às Religiões Chinesas, do especialista americano Mario Poceski, uma visão geral, dos tempos antigos até hoje, do confucionismo, taoísmo, budismo, religiosidade popular, e outras manifestações religiosas da China.

Espetáculo

Em Semiótica do Espetáculo: um método para a história, edição da Apicuri-Faperj, os consagrados professores de história antiga Claudia Beltrão da Rosa e Ciro Flamarion S. Cardoso discutem um tema fascinante: até que ponto as representações, no cinema, teatro, literatura, etc. baseadas ao longo dos séculos em temas da história e da mitologia da Antiguidade, refletem realmente as problemáticas daqueles tempos ou as problemáticas enfrentadas pelos seus autores na própria época em que viveram e criaram?

Iluminismo

As diferentes interpretações sobre o que são os seres humanos, desde a Antiguidade até os tempos atuais, passando pela Idade Média e o Iluminismo, são os temas de Nossa Humanidade, de Aristóteles às neurociências, do filósofo francês Francis Wolff, Editora Unesp. Afinal, somos seres dotados de livre-arbítrio ou agimos por automatismos pré-determinados?

Jornalismo

O bem conhecido jornalista paulista Edson Flosi, autor de importantes reportagens dos anos 1960 aos anos 1990, época em que abandonou a imprensa por nela ter começado a rarear o verdadeiro jornalismo factual, apresenta em Por Trás da Notícia – O processo de criação das grandes reportagens, lançamento da Summus Editorial, os textos integrais de quinze grandes reportagens que publicou no Jornal da Tarde e na Folha de S.Paulo, acompanhadas de comentários sobre como foram apuradas e escritas. Uma oportunidade, nos tempos atuais, de tomar um banho de jornalismo.


 Renato Pompeu é jornalista e escritor.

BEM-VINDOS MÉDICOS CUBANOS

Por Roberto Jaguaribe Trindade

Brasileiro diplomado em Cuba com bolsa de estudo fala da formação médica da Ilha e defende a vinda dos estrangeiros

 

Nasci na periferia de São Paulo, em família humilde: pai militar e mãe dona de casa. Sempre estudei em escolas públicas e não posso dizer que tive um ensino refinado. Mas sempre tive um sonho: ser médico. Não tinha condições para pagar cursinhos top e me colocar em pé de igualdade com os alunos oriundos do ensino privado, então fi quei sabendo de um cursinho alternativo, direcionado para afrodescentes e carentes: o Educafro. Comecei a participar do cursinho e montamos um núcleo na Cidade Tiradentes, extremo Leste de São Paulo, lá eu ajudava os alunos que tinham difi culdades com biologia. No fi nal de 1999, a Educafro recebeu da Embaixada de Cuba duas bolsas de estudo para o curso de medicina na Escuela Latinoamericana de Medicina (ELAM). E aí se inicia minha jornada.

Fui selecionado entre vários estudantes para ser um dos bolsistas e embarquei para Cuba em março de 2000. Tudo era novo pra mim: primeira viagem internacional, idioma diferente, vida universitária, distância da família. Mas o sonho finalmente tomava corpo, era tangível.

Leia o artigo completo na edição 198 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

 

VIDA NA SANFONA

José Domingos de Morais, mundialmente conhecido como Dominguinhos, sanfoneiro, cantor, compositor, príncipe e herdeiro musical do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, tinha personalidade calma e esbanjava paciência com todos à sua volta, um traço marcante de sua personalidade. O medo de viajar de avião fez com que deixasse de realizar muito shows pelo País afora e em outras partes do mundo.

Uma carreira que começou aos 13 anos, em 1954, no Rio de Janeiro, na banda do Gonzagão. Dominguinhos foi coautor de inúmeros sucessos da MPB. A lista é vasta: Eu Só Quero um Xodó, De Volta pro Aconchego, Gostoso Demais, Isso Aqui Tá Bom Demais, Pedras que Cantam, Quem me Levará Sou Eu, Abri a Porta, Tenho Sede, Lamento Sertanejo, Quando Chega o Verão, Tantas Palavras e muitas outras.

Leia o artigo completo na edição 198 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

 

 

JOGA O COLOQUIAL NO LIXO!

Por Marcos Bagno

 

Tem dois termos que, para nossa desalegria, são invocados por gregos e goianos a todo momento quando o assunto é língua e ensino de língua. O primeiro é norma culta, que as pessoas teimam e reteimam em achar que é sinônimo de norma padrão. E o segundo é coloquial ou coloquialismo.

Sobre a confusão que muita gente faz entre norma culta e norma padrão, os linguistas há 25 anos vêm tentando apontar a necessidade de distinguir, de um lado, a realidade dos usos da língua e, do outro, a ideologia linguística veiculada pela tradição gramatical normativa.

Leia o artigo completo na edição 198 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

 

A EXTREMA-DIREITA SE POPULARIZA NA FRANÇA

Por Amanda Lourenço

Crise econômica reforça sentimentos conservadores, que avançam no País

O cenário parece desanimador: crise econômica, desemprego em alta, impopularidade do governo. Uma triste realidade para os cidadãos franceses e, no entanto, o contexto social perfeito para o desenvolvimento de uma corrente política específica – a extrema-direita.

Nos últimos meses a França tem se mostrado cada vez mais simpática às ideias conservadoras radicais, como atestam as inúmeras pesquisas eleitorais publicadas nos jornais franceses semanalmente. O partido da Frente Nacional (FN), tradicional representante da extrema-direita do país, se fortalece a cada dia sob o comando de Marine Le Pen, que deu uma “cara nova” ao partido fundado por seu pai, Jean-Marie Le Pen.

Até mesmo o presidente da república, o socialista François Hollande, reconheceu publicamente sua preocupação com a popularidade da Frente Nacional em discurso na ocasião do aniversário da Queda da Bastilha, dia 14 de julho. Hollande se disse apreensivo e qualificou de “extremamente grave” as propostas de saída do Euro, da luta contra a imigração e da ilusão do protecionismo imaginadas pelo FN.

Leia a reportagem completa na edição 198 da Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

ESTOU FALANDO DE ELTON MEDEIROS

Por Eliete Negreiros

 

Paulinho da Viola compôs recentemente um lindo samba em homenagem ao seu mais constante parceiro, seu grande amigo e companheiro Elton Medeiros. Nele traça o perfi l do grande sambista, Um Orgulho do Samba do Brasil. A canção chama-se Um Cara Bacana e será nosso roteiro poético musical, guia histórico, lírico e seguro, baseado na convivência, admiração, amizade e afeto. Poderíamos ter um guia melhor? O samba começa assim: “Carregar uma lua no peito e a fama / De tecer melodias em busca de um samba / Que desfaz e refaz / Como fosse um menino / É assim que se tem a essência / De um cara bacana / Aprendiz de uma escola de amor onde o lema / É criar e sonhar espalhando poemas / E se o sol nascerá / O melhor é sorrir / Pra levar esta vida”.

Elton Medeiros nasceu no Rio de Janeiro em 22 de julho de 1930. Compositor, cantor, produtor, ativista cultural e radialista, aos 8 anos, com seu irmão Aquiles, formou um bloco que mais tarde viria se tornar o União do Amor e com esta idade já começou a compor seus primeiros sambas.

Leia o perfil completo na edição 198 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

 

O REI ESTÁ NU

Por Gershon Knispel

Sobre dois documentários da mostra judaica e da mostra árabe

 

Um documentário chocante se destacou na mostra dos filmes judaicos que ocorreu recentemente em São Paulo: Os Guardiões. Desse filme participaram seis dirigentes do serviço secreto de Israel ainda vivos: Abrum Shalom Bendor (nascido em 1928), o mais veterano no serviço da turma, o mais autoritário, serviu de 1980 a 1986; Yaakov Perri (1944) atuou de 1988 a 1995; Karmi Gilon (1926) trabalhou de 1995 a 1996; Ami Ayalon (1945) serviu de 1996 a 2000; Avi Dichter (1950) atuou de 2000 a 2005 e Juval Diskin (1956) trabalhou de 2005 a 2011. Assim, foram responsáveis pelo serviço secreto de 1980 até dois anos atrás. 

Abrum escolheu com muito cuidado as palavras que feriram como faca os ouvidos dos espectadores. Os outros não fi caram atrás. “Desde 1967, a partir da ocupação, resultante da Guerra dos Seis Dias, apesar de nós, do serviço secreto, termos exigido que se abrisse o diálogo com os palestinos, os governos se recusaram categoricamente a fazer isso.”

Leia o artigo completo na edição 198 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

 

Mais artigos...

Correio Caros Amigos

 
powered by moosend
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
×

×
CORREIO CAROS AMIGOS
powered by moosend