Líbia: As várias facetas de Muammar Khadafi


Para tentar entender o que se passa no país norte-africano é necessário analisar a polêmica figura do líder líbio, que passou por várias etapas em 41 anos de poder

Por Mário Augusto Jakobskind

Uma delegação brasileira integrada por nove pessoas embarcou com destino à Líbia, a convite da Organização não Governamental líbia Fact Finding Committee, no dia 14 de agosto. Mas não conseguiu chegar ao seu destino devido à intensificação dos bombardeios da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na estrada que conduz a Trípoli.

O objetivo da delegação era elaborar um relatório sobre o que presenciasse em matéria de consequências dos bombardeios, a ser encaminhado ao ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan.

Antes da delegação brasileira, que seria a última a ingressar na Líbia, tinham estado naquele país do Norte da África representações dos Estados Unidos, Itália, França, Venezuela, entre outros países. Elaboraram seus relatórios encaminhados a Kofi Annan, coordenador dos trabalhos das delegações sobre o que viram em matéria de destruição do país de mais alto desenvolvimento humano (IDH) do continente africano (0,755), maior inclusive que o do Brasil.

Para tentar entender o que se passa no país norte- africano é necessário analisar a polêmica figura do líder líbio Muammar Khadafi, que passou por várias etapas em 41 anos de poder e mesmo agora, praticamente derrotado pelos opositores, continua conclamando os seus seguidores à resistência.

Guinada de 180 graus

O tempo foi passando e chegou um momento em que Khadafi decidiu dar uma guinada de 180 graus para romper o isolamento. Na entrada do Terceiro Milênio, depois de desistir de desenvolver energia nuclear que poderia chegar à bomba atômica, passou a se articular com os Estados Unidos, Reino Unido, França, a ex-colonizadora Itália e assim sucessivamente. Em 2003, Khadafi recebe com tapete vermelho a então Secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice.

Outros que caíram nas graças de Khadafi e passaram a ser tratados de forma vip foram o então premier do Reino Unido, Tony Blair, o Presidente francês Nicolas Sarkozy e, especialmente, o premiê italiano Silvio Berlusconi, recebidos festivamente em tendas ao visitarem a Líbia.


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Mídia demonstra o racismo das revistas segmentadas


Análise de Playboy, Nova, Atrevida e Veja mostra o tratamento desigual entre brancos e negros, destacadamente nos temas sexuais

Por Dennis de Oliveira

O racismo, no Brasil, tem um duplo viés: o primeiro, é de caráter socioeconômico e é demonstrado por todos os indicadores que mostram a desigualdade entre brancos e negros que persistem historicamente. O segundo viés é de caráter ideológico: a desigualdade entre brancos e negros é sustentada, ideologicamente, pela disseminação de narrativas que sustentam a ideia de inferioridade do negro e negra.

Um dos instrumentos mais eficazes que disseminam esta ideologia do racismo é a mídia. Diante disto, realizamos, em 2010 e 2011, uma análise quantitativa e qualitativa de periódicos impressos segmentados – publicações tematizadas ou destinadas a públicos com interesses específicos – que, pela sua natureza, ao venderem estilos comportamentais e de vida, aproximam sobremaneira o discurso jornalístico do discurso publicitário, pois o fato noticiado se coaduna com comportamentos de consumo. A análise foi realizada no ano de 2010 com as seguintes revistas: Playboy, Nova, Atrevida e Veja. Para efeitos de comparação, foram analisadas no aspecto quantitativo as publicações dos EUA congêneres – Seventeen, Playboy (EUA), Cosmopolitan e Time. Esta pesquisa contou com a participação das bolsistas de iniciação científica Lunalva de Oliveira, do curso de Relações Públicas e de Júlia Mega, do curso de Letras, ambas da USP.

Análise quantitativa

Para efeitos de análise quantitativa, foi medida a presença de negros e negras em imagens de matérias jornalísticas e propagandas, textos que tratem de personagens negras, entre outros. O espaço destinado foi comparado ao total de espaço oferecido pela revista e, com isto, calculado os percentuais por trimestre, tendo em vista as diferentes periodicidades de cada revista. Esta operação foi realizada com os periódicos selecionados no Brasil e nos Estados Unidos no ano de 2010.

A pesquisa demonstrou que a presença de negros na mídia dos EUA é ligeiramente maior que no Brasil - a média no Brasil é de 8,7% contra quase 9% dos EUA. A diferença seria insignificante não fosse pelo detalhe que a população negra no Brasil é, segundo os dados oficiais, superior a 50% contra 15% nos EUA. A distorção, portanto, no Brasil é muito maior que nos Estados Unidos.

A pequena aparição de negros e negras na mídia passa por filtros. Na análise das publicações selecionadas, identificamos alguns filtros pelos quais a presença negra é tolerada e, diante disto, são construídos os seguintes valores: minorização, difamação estética e objetificação radical da mulher negra.

Minorização

Os negros e negras sempre são colocados em situações em que aparecem ou solitários ou como minorias, cercados de brancos. Na abertura do artigo publicado na revista Nova, de setembro de 2010, percebemos a presença de um homem negro em torno de vários outros homens brancos. Esta tem sido a quase regra de aparição de negros em anúncios publicitários e em imagens que tenham a presença negra, quase nunca se verifica uma imagem com várias pessoas negras – ou ele aparece só ou acompanhado de brancos, denotando- se a ideia de um corpo estranho.


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Amazônia: Um Imenso Pasto

Por Frei Betto


Os dados são do governo federal: 17,5% da Amazônia brasileira é área desmatada. Desse total, 62% foram transformados em pasto de bois e vacas. Imagens de satélites comprovam que, até 2008, uma área de 719 mil km2 – três vezes o Estado de São Paulo ou pouco menos que a extensão do Chile - teve todas as suas árvores abatidas. E, certamente, rios e lagoas poluídos.

Ao contrário do que se imagina, a agricultura, em especial a destinada à produção de grãos, como soja, ocupa menos de 5% da área total desmatada.

A principal arma de devastação da Amazônia, a motosserra, derruba árvores e abre pastos de baixíssima produtividade, a ponto de uma área do tamanho de um campo de futebol ser ocupada por apenas um boi.
 


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Palestina é o epicentro da crise mundial

Impasse com Israel ameaça conduzir o Oriente Médio a um conflito generalizado, com consequências explosivas para a economia mundial

Por José Arbex Jr.

O Oriente Médio caminha a passos acelerados para um quadro de regionalização dos conflitos. O epicentro da crise é, novamente, a “questão palestina”, reconduzida ao primeiro plano pelo pedido de reconhecimento pleno do estado palestino feito pelo presidente Mahmoud Abbas, durante a 66ª Assembleia Geral da ONU, em setembro. O pequeno problema é o fato de que a “questão palestina” tem uma dimensão obviamente global: além de todas as dimensões políticas, culturais e religiosas implicadas, a economia mundial não teria como suportar os inevitáveis impactos de uma nova crise de grandes proporções no Oriente Médio. Simples dúvidas quanto a estabilização do fluxo de petróleo para os países importadores já seriam suficientes para produzir pânico e altas insuportáveis do preço do barril. E o corolário desse processo é a ausência de qualquer estadista ou líder político capaz de oferecer uma solução negociada para os conflitos e tensões.

O presidente estadunidense Barack Obama perdeu de vez a chance de passar à história como um líder capaz de se colocar à altura dos desafios postos pela conjuntura, mesmo nos marcos da defesa do sistema imperialista. Alguém como, digamos, Franklin Roosevelt. Ao contrário. Ao anunciar o seu veto à criação de um estado palestino, antes mesmo de a proposta ter sido feita por Abbas, Obama provou-se um rato mesquinho, pequeno e míope: preferiu não desafiar o poderoso lobby sionista estadunidense, tendo em vista as eleições presidenciais de 2012. Os seus assessores chegaram ao cúmulo de entrar em contato com as principais lideranças sionistas dos Estados Unidos para pedir que assistissem o seu pronunciamento na Assembleia Geral.

 

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América Latina Esquizofrenizada pelo Imperialismo Angloiano
 
Por Gilberto Vasconcellos

O Brasil está precisando de um safanão da América Latina para deixar de ser bobão, e tomar vergonha na cara. Pela primeira vez editado no português, 40 anos de atraso, o argentino Jorge Abelardo Ramos, A História da nação latino-americana. A editora Insular de Floripa está de parabéns.

Este livro tem a mesma importância que a História da Revolução Russa, de Leon Trotsky, de quem Abelardo Ramos assimilou as ideias e estilos. Lembra também na capacidade desveladora do presente para o passado, o historiador português Oliveira Martins.

Realço o estilo porque Abelardo Ramos foi um exímio escritor que se iguala aos melhores romancistas latino-americanos. Escrevia movido por um sentimento épico, lírico e iracundo, com uma visão de conjunto da América Latina, somente comparável ao mestre Darcy Ribeiro, de quem foi amigo em Lima e Montevidéu.

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A forma escorchante de acumulação do capital


Por João Pedro Stedile

O governo Dilma enfrenta um desafio fundamental da política econômica, que precisa ser resolvido a curto prazo. Trata-se da questão da taxa de juros. No passado, quando o modelo econômico era dominado pelos interesses do capital industrial essa variável econômica era controlada com mão de ferro pelos governos. Agora, como a hegemonia é do capital financeiro e das empresas transnacionais, desde os tempos do governo Collor se difundiu a falácia de que o mercado é que deve regulá-lo. No governo Lula, houve algumas iniciativas pontuais para controlá-lo, mas insuficientes.

Agora, com o recrudescimento da crise capitalista mundial, será fundamental que o governo a controle, e assim consiga administrar de forma mais justa as possibilidades de ganho dos investimentos produtivos e sobretudo dos trabalhadores.

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Manifesto da Antropofágica

Por Sérgio Vaz

Dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.

A favor de um subúrbio que clama por arte e cultura, e universidade para a diversidade. Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula.

Contra a arte patrocinada pelos que corrompem a liberdade de opção. Contra a arte fabricada para destruir o senso crítico, a emoção e a sensibilidade que nasce da múltipla escolha.

A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza. A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer. Da poesia periférica que brota na porta do bar.

Do teatro que não vem do “ter ou não ter...”. Do cinema real que transmite ilusão. Das Artes Plásticas, que, de concreto, quer substituir os barracos de madeiras.


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