A OTAN, gendarme mundial

Por Fidel Castro

Muitas pessoas sentem náuseas ao escutarem o nome dessa organização.

Sexta-feira, 19 de novembro de 2010, em Lisboa, Portugal, os 28 membros dessa belicosa instituição, engendrada pelos Estados Unidos, decidiram criar o que, com cinismo, qualificam de “a nova OTAN”.

A OTAN surgiu depois da Segunda Guerra Mundial como instrumento da Guerra Fria desencadeada pelo imperialismo contra a União Soviética, o país que pagou com milhões de vidas e uma colossal destruição a vitória sobre o nazismo.

Contra a URSS, os Estados Unidos mobilizaram, junto a uma parte sadia da população europeia, a extrema direita e toda a escória nazista e fascista da Europa, cheia de ódio e disposta a tirar proveito dos erros cometidos pelos próprios dirigentes da URSS, depois de morte de Lenin.

O povo soviético, com enormes sacrifícios, foi capaz de manter a paridade nuclear e apoiar a luta de libertação nacional de numerosos povos, se opondo aos esforços dos Estados europeus de manterem o sistema colonial imposto pela força durante séculos; Estados que no pós-guerra se aliaram ao império ianque, quem assumiu o comando da contrarrevolução no mundo.

Em apenas dez dias — menos de duas semanas — a opinião mundial recebeu três grandes e inesquecíveis lições: o G-20, a APEC e a OTAN, em Seul, Yokohama e Lisboa, de modo que todas as pessoas honestas que saibam ler e escrever, e cujas mentes não tenham sido mutiladas pelos reflexos condicionados do aparelho da mídia do imperialismo, possam ter uma ideia real dos problemas que afetam hoje a humanidade.

 

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IDEIAS DE BOTEQUIM

As pensatas de alguns dos gurus de nosso tempo

Por Renato Pompeu


Palestras feitas por grandes nomes da cultura contemporânea em Porto Alegre em 2008, no Seminário Fronteiras do Pensamento, estão reunidas em Fronteiras do Pensamento, livro lançado pela Civilização Brasileira, organizado pelos gestores culturais Günter Axt, historiador, e Fernando Luís Schüler, cientista político. Entre outros: o crítico cultural Edgar Morin avalia o legado dos movimentos de 1968, o psicanalista Jurandir Freire Costa mostra que não é preciso se desesperar diante da exacerbação do individualismo, o crítico cultural Renato Mezan discute a fase mais recente do mercado cultural; o poeta Affonso Romano Sant’Anna constata o esgotamento da pós-modernidade e da arte contemporânea, o músico Philip Glass, os diretores de teatro Gerald Thomas e Fernando Arrabal, o escritor Milton Hatoum, e os cineastas Beto Brant, José Padilha, Wim Wenders e David Lynch discutem seus processos criativos.

Ainda quanto ao tema das fronteiras, você sabia que há meio século, no início dos anos 1960, havia no Brasil tantos jornais e revistas destinados ao público gay que foi necessário fundar uma entidade para reuni-los? Essa, e muitas outras informações, constam da obra Impressões de identidade – Um olhar sobre a imprensa gay no Brasil, do designer gráfico  e professor Jorge Caê Rodrigues, lançado pela EdUFF, Editora da Universidade Federal Fluminense.

Também sobre a sexualidade é o livro Trópico dos Pecados – moral, sexualidade e Inquisição no Brasil, do historiador Ronaldo Vainfas, igualmente editado pela Civilização Brasileira, que narra como vivências sexuais hoje plenamente aceitas eram consideradas crimes no Brasil Colônia.

 

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Teatro Olodum leva cultura engajada para o palco


O grupo teatral mais negro do país comemorou 20 anos de estrada com encenação de peça
que faz reflexão sobre o respeito aos mais velhos.

Por Lúcia Rodrigues


Salvador, Bahia, 2010. Em tempos de xenofobia e racismo é da capital mais negra do país que emerge um grito de resistência contra essas formas de fascismo. Como o antepassado, Zumbi dos Palmares, que entrou para a história ao libertar seu povo do jugo opressor, o Bando de Teatro Olodum levanta sua voz e traz para o palco mais do que uma nova forma de interpretação, coloca na ribalta uma estética negra de se fazer teatro.

Essa forma revolucionária de atuação, que acaba de completar 20 anos de estrada, já revelou
para as telas o ator Lázaro Ramos, mas mais do que a pretensão de se transformar em celeiro de novos astros, o Bando quer dar voz àqueles que sempre estiveram alijados dos holofotes.

“A gente morava em uma cidade com maioria negra absoluta e não havia negros no palco, não havia uma dramaturgia negra”, relembra o diretor teatral Márcio Meirelles, um dos precursores do grupo.

Meirelles, que hoje está à frente da pasta da Cultura do Estado da Bahia, explica que o nome
da companhia teatral, que nasceu de uma parceria com o grupo de percursionistas do Pelourinho, foi uma forma de demarcar território em uma sociedade em que clivagem étnica é forte.

“Foi uma provocação. Bando é uma palavra pejorativa, um ajuntamento de marginais. Quisemos assumir justamente que o negro é perigoso quando tem uma arma. Porque a sociedade sabe onde colocou o negro e sabe que um dia ele não vai ficar no lugar onde está e que vai avançar de uma forma pacífica e de uma forma violenta também. Então quando se tem uma arma como a palavra e se está no palco, aí a gente passa a ser realmente perigoso”, enfatiza.

Além do conteúdo político, o secretário da Cultura revela que o nome do grupo também fez
um contraponto com a banda do Olodum. “Bando e banda foi uma brincadeira e ao mesmo tempo, uma provocação política.”

Hoje, o Bando não está mais ligado à banda do Pelô, cada um trilha carreira solo, se é que se
pode classificar assim coletivos. Ambos, no entanto, têm a mesma origem: emergiram da vontade de um povo de externalizar sua cultura.

No caso do Bando, seus atuais 18 atores e dois músicos vieram de uma rede de teatro amador e de bairro. “Alguns vieram de um grupo de teatro gerado dentro do movimento negro, que era mais de militância política do que de estética. Outros não tinham consciência de que eram negros e de que existia racismo. Eram alheios a isso e foram cobrados pelos companheiros que tinham essa consciência. Essa convivência foi dando ao grupo uma coesão nessa militância, que agora é parte do nosso trabalho”, frisa Meirelles, que não é afrodescendente.

O grupo carrega na bagagem de espetáculos, sucessos como Cabaré da Rrrrrraça e Ó Paí, Ó, que foi transformado posteriormente em filme e seriado para a televisão. Apesar da experiência bem sucedida do grupo e de um relativo retorno financeiro de bilheteria e direitos autorais, viver de teatro no Brasil ainda é uma tarefa difícil. Alguns artistas do Bando dividem o palco com outra atividade profissional. “Tem um que trabalha no almoxarifado de um hospital, outro é museólogo”, conta Meirelles.

“Não tem uma grana certa, por isso, a gente está sempre no palco para poder ter bilheteria”, explica Rídson Reis, de 22 anos de idade e cinco de Bando. O mais jovem ator da companhia
teatral divide seu tempo entre o tablado e o terceiro semestre do curso de engenharia civil que frequenta na Universidade Federal da Bahia, a UFBA. Ele sonha, no entanto, em poder viver só com o que recebe por sua arte.

 

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FATAES NATAES

[SONETO 3089]

Por Glauco Mattoso


Natal! Que desejar, sendo sincero,
a alguem que considero? Peço então
que aquelle homem do sacco vermelhão
penetre no buraco, dizer quero...


Da sua chaminé! Que ganhe, espero,
algum peru carnudo e, pelo vão,
lhe venha a pomba! Vão das pernas? Não!
Da telha! E agoure sorte á hora zero!


Emfim, neste Natal, eu lhe desejo
esguichos, gritos, risos! Fique claro,
refiro-me à champanhe! E vale o ensejo:


Pendure a meia usada! Assim, meu caro,
que a noite escurecer, eis o que almejo:
trocar por nova, e um mimo eu ganho ao faro!


Ja repararam que muita gente dá ou retribue um “Bom dia!” de má vontade?

Claro que repararam: acontece todo dia! Mas ja repararam que, mais resmungando que fallando, quem nos cumprimenta parece dizer “Bundinha!”, como si alludisse à parte onde devessemos levar? Toda manhã, quando saio com meu accompanhante para uma caminhada pelo quarteirão, cruzo com meus amigos caninos que, tambem accompanhados dos respectivos donos, fazem festa ao me verem. É verdade que a festa pode ser só por interesse, ja que farejam os biscoitos para cachorro que, casualmente, trago no bolso...

 

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Governos Lula: uma hegemonia às avessas

Líderes oriundos dos dominados dirigem politicamente a sociedade e tratam a desigualdade sob o prisma das carências e não dos direitos.

Por Carlos Alberto Bello


Francisco de Oliveira cunhou a expressão hegemonia s avessas para avaliar os governos Lula, dizendo: “(...) enquanto as classes dominadas tomam a ‘direção moral’ da sociedade, a dominação burguesa se faz mais descarada. (...) Está-se frente a uma nova dominação: os dominados realizam a ‘revolução moral’ – derrota do apartheid na África do Sul; eleição de Lula e Bolsa-Família no Brasil – que se transforma, e se deforma, em capitulação ante a exploração desenfreada. (...) São os dominantes – os capitalistas e o capital, explicite-se – que consentem em ser politicamente conduzidos pelos dominados, à condição de que a ‘direção moral’ não questione a forma da exploração capitalista”. Para discutir esta hipótese, cabe avaliar se há sinais de hegemonia, depois qualificá-la através da análise dos governos Lula e então discutir se esta hegemonia seria às avessas.

As ações dos governos Lula junto às classes populares (grande aumento dos beneficiários do
Bolsa Família, do salário mínimo, dos créditos públicos e da difusão do crédito consignado), no
contexto de baixa inflação e razoável crescimento do emprego e da renda, suscitam a hipótese de que a elevada popularidade de Lula estaria significando uma hegemonia sobre amplos segmentos sociais, na medida em que não houve questionamentos relevantes às políticas do governo, seja pela burguesia (inclusive devido à manutenção da política econômica anterior), seja pela oposição.

As ações dos governos Lula produziram grande impacto, reduzindo um pouco a desigualdade
social e o predomínio dos interesses da burguesia (aumento de salário mínimo reduz lucros e a pobreza; bolsa família reduz a extrema pobreza), mas tais interesses foram contemplados com a manutenção das diretrizes herdadas de FHC (contenção dos gastos sociais e amplo poder do capital frente ao trabalho). As ações voltadas às classes populares contrariam a ideologia neoliberal (não visam poucos cidadãos), mas priorizam o atendimento das carências mais prementes, não a constituição de direitos legais, a qual descortinaria a expectativa de novos direitos e a perspectiva de uma cidadania digna para todos, abrangendo as desigualdades reproduzidas pelas relações entre capital e trabalho.

Esta situação sugere haver uma hegemonia da promoção do desenvolvimento capitalista com alguma redução da desigualdade social, mas cabe perguntar: estaria prevalecendo um reforço à dominação capitalista ou uma concepção social reformista do capitalismo? A segunda hipótese faria sentido se estivesse em andamento uma progressão das carências para os direitos, de uma moderada redução da desigualdade para um amplo questionamento do quadro herdado de FHC.

 

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Lula e Dilma na História

Por Eduardo Matarazzo Suplicy

Cumprimento o presidente Lula e a presidenta eleita Dilma pela vitória obtida, em 31 de outubro, com 56% dos votos válidos e pelos pronunciamentos em que ressaltaram a erradicação da pobreza absoluta, como objetivo maior a ser alcançado, em continuação ao bem-sucedido esforço realizado desde 2003.

Foi positivo que a Presidenta Dilma Rousseff tenha convidado Ana Maria de Castro, filha de Josué de Castro, para participar em Brasília, em 28 de outubro, do lançamento de seu Programa de Desenvolvimento Social. Ana Maria, ali, expressou seu apoio por Dilma compreender o que seu pai diagnosticou: que a fome e a miséria decorriam de como alguns homens agiam para que outros homens passassem fome e vivessem na pobreza absoluta, mas que seria perfeitamente possível a sociedade se organizar para não haver mais fome e miséria.

 

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Brasil exporta escravos para mercado do sexo

A dura realidade dos jovens brasileiros que são vítimas do tráfico internacional para exploração sexual na Europa.

Por Júnea Assir

Madri (Espanha) – Para a ONU, o tráfico de pessoas é uma forma moderna de escravidão, e, pelas estimativas da própria organização, mais de 2 milhões de pessoas são vítimas do tráfico
humano a cada ano. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, dentro desta estatística quase 1 milhão de pessoas são traficadas no mundo, anualmente, com a finalidade de exploração sexual, sendo que 98% são mulheres, comércio que movimenta 32 bilhões de dólares por ano. Atualmente, uma das atividades criminosas mais lucrativas, uma verdadeira mina de ouro já que o investimento é quase zero, no caso dos trabalhos de uma vítima de exploração sexual, o serviço será vendido várias vezes por dia. O maior destino destes jovens é a Europa Mediterrânea, encabeçado por Espanha, seguido por Portugal e Itália, grandes receptores desta mercadoria brasileira.

Quase todas as vítimas têm um perfil similar: jovens ilusionados em mudar de vida, com precária situação econômica, pouca ou nehuma formação escolar, desempregados, vivenciando a falta de oportunidades e com idade entre 18 e 30 anos. Muitos vivem em zonas rurais muito pobres. A operação começa pelo aliciamento das vítimas, falsas ofertas de trabalho no exterior, promessas de um futuro promissor. Alguns são atraídos para trabalhar como modelos, dançarinos, em hotelaria, ou mesmo no labor doméstico em casas de famílias.
Muitos sabem que vão trabalhar na prostituição, mas não imaginam em que condições, idealizam uma liberdade e uma cumplicidade entre companheiros, que não existe.

Em muitos casos, a captação é realizada por conhecidos, às vezes por gente da própria família, outras por pessoas que exerceram a prostituição e agora recebem comissões da organização. Como se trata de outro país, a quadrilha geralmente organiza toda papelada necessária como passaporte e papéis essenciais para entrar no território escolhido. Também se responsabilizam pela compra do bilhete de viagem, momento em que automaticamente a vítima dá início à sua dívida.


Os aliciados recebem instruções de como se vestir e atuar perante as autoridades do setor de
imigração. Alguns grupos fazem escala em outros países do território Schengen, como França, para evitar, por exemplo, voos direto à Espanha. Os controles de imigração de Paris relaxam se o destino final não é o próprio país. Algumas pessoas viajam na companhia de integrantes do grupo que os ajudam nos controles alfandegários, em outras situações são recebidos no destino final, automaticamente retirando-lhes toda documentação e dinheiro que previamente receberam para ensinar ao controle de imigração do país.

Neste momento, passam a entender que o paraíso não existe, e, no caminho para o inferno, local onde vão permanecer e prostituir-se, começa a demonstração de poder: ameaça física e moral, fundamentados na vulnerabilidade dos novos prisioneiros. Em cárcere privado são submetidos à vexação como usar roupas íntimas e sensuais. Se há resistência por parte da pessoa, seguramente sofrerá coação, ou até ameaças à própria família que está no Brasil, mas que supostamente observada por algum integrante do bando. São severos os meios de controles, como trancafiamentos em pequenos quartos ou vigilância por circuitos de videocâmaras, até brutais agressões. Em saunas, bares, apartamentos, ou vias públicas, as vítimas deste tráfico são exploradas em diferentes pontos, na maior parte não sabem nem onde estão.

Rede de mulheres

Na Espanha, a prostituição está perfeitamente integrada dentro de um ambiente urbano. Periodicamente, são feitas mudança de endereço, para que ninguém se acostume com a zona, ou possa estreitar relações com os clientes mais habituais. Cada passo é bem planejado para não deixar vestígio e para tirar melhor proveito da situação. Às vezes, fazem o traslado da jovem coincidindo com o período menstrual para otimizar seu rendimento. Importante membro das redes são as “Mamis” ou controladoras, que vigiam as vítimas, neste caso, predominantemente mulheres. Ficam ao seu lado quase todo tempo e encarregam-se de que não escapem e para tranquilizá-las e fazê-las pensar que a circunstância não é a pior.

 

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