Energia a que preço?

Por Frei Betto

O Plano Decenal de Energia prevê, como prioridade, até 2022, a construção de hidrelétricas. Hoje, o Brasil dispõe de 125 mil MW (megawatts). O plano estabelece a incorporação de mais 60 mil MW, sendo 35 mil oriundas de 35 hidrelétricas de grande porte a serem construídas, e dezenas de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas).

Tais empreendimentos atingirão, segundo o Governo Federal, 62 mil pessoas. Tudo indica se tratar de um número subestimado. Duas hidrelétricas, a de Marabá e a de Belo Monte, causarão transtornos para uma população numericamente maior. Hoje, em todo o Brasil, os atingidos por construções de barragens são calculados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em 1 milhão de pessoas. E mais 250 mil serão afetadas pelas obras previstas no Plano Decenal, que prevê investimento de 100 bilhões de reais e o alagamento de 650 mil hectares. Cerca de 80% do potencial hídrico planejado será em rios da Amazônia: Tocantins, Xingu, Tapajós e Madeira.

Leia o artigo completo na edição 205 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

Perfil de Eduardo Coutinho

Por Paulo Rogério Gilani

O cineasta Eduardo Coutinho, que morreu tragicamente em fevereiro deste ano, é considerado pelos profissionais do cinema brasileiro e internacional como um dos maiores documentaristas do mundo. Coutinho foi lembrado durante a cerimônia do Oscar 2014, no domingo (02/03), e apareceu em clipe sobre os artistas que morreram em 2013 e no início deste ano, ao lado de personalidades como os atores Philip Seymour Hoffman e Paul Walker e o crítico Roger Ebert.

Durante sua carreira, que teve início em 1966 com o documentário O Pacto, Coutinho produziu ao todo 24 filmes e recebeu 11 prêmios em festivais de cinema nacional e internacional. Com toda a sua filmografia à disposição dos internautas no YouTube, os documentários Cabra Marcado para Morrer, Edifício Master e Babilônia são os mais premiados e conhecidos pelo público.

Leia o perfil completo na edição 204 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

Professor de Ciência Política da Unicamp fala de sindicalismo, ganhos para trabalhadores e movimentos sociais

Por Gilberto Maringoni

Para Armando Boito Jr., professor titular de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vivemos na última década um período de ganhos reais para os trabalhadores. O que teria propiciado isso seriam taxas mais robustas de crescimento econômico e uma nova relação do Estado com o movimento sindical.

Boito, que desenvolve pesquisas sobre as relações de classe no capitalismo neoliberal no Brasil e na América Latina e é autor de O Sindicalismo na Política Brasi- leira (Editora IFCH-Unicamp), avalia que “o sindicalismo tornou-se uma força importante no processo político nacional”.

Nesta entrevista ele fala de organização social, da existência de um conjunto de forças que buscam construir uma frente neodesenvolvimentista e da importância da elaboração de um projeto nacional. E ainda opina sobre as grandes manifestações de junho de 2013: embora o tom geral tenha sido progressista, “é preciso superar o espontaneísmo nas lutas”.

Caros Amigos - O senhor tem afirmado que, na última década, os trabalhadores tiveram ganhos reais de salário – ou seja, reajustes acima da inflação como há muito não se via. A que o senhor atribui essa nova situação?

Armando Boito Jr. – Desde o ano de 2004, as condições da luta sindical melhoraram muito e os trabalhadores estão logrando tirar proveito dessa situação. Contrariando análises correntes na década de 1990 e presentes ainda hoje, o sindicalismo brasileiro entrou num período de ascensão. As estatísticas de greves e os levantamentos sobre as convenções e acordos coletivos produzidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) evidenciam isso. Vou dar apenas alguns números. No ano de 2004, tivemos pouco mais que trezentas greves. Esse número veio crescendo de maneira linear e ininterrupta. Em 2012, foram mais de 800 greves. Esse crescimento da atividade grevista não foi inócuo. Se no ano de 2003 apenas 18% das convenções e acordos coletivos tinham logrado obter aumento real de salário, de lá para cá, e também num crescimento linear e ininterrupto, chegou-se, em 2012, a cerca de 95% dos acordos e convenções coletivas com aumento real de salário. Esses números são muito significativos. Penso que eles dão apoio à tese que tenho defendido de que o sindicalismo brasileiro, após atravessar um período de grandes dificuldades na segunda metade da década de 1990 e nos dois primeiros anos da década de 2000, entrou, a partir de 2004, num período de forte recuperação.

Leia a entrevista completa na edição 205 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

Entrevista com Lúcia Sá

LITERATURA INDÍGENA

Narrativas indígenas são a base de grandes obras literárias, mas nunca foram reconhecidas como literatura

Por Aray Nabuco

Entre o processo de apropriação, expropriação e marginalização dos indígenas pelos brancos, está o da cultura simbólica, suas crenças e cosmogonias, uma riqueza para a qual ainda recusa-se conferir autoria, direitos e mesmo caráter literário. A apropriação deste território simbólico indígena já rendeu muitos romances e obras-primas para os brancos, mas mesmo nesse encontro prolífero, mantêm-se as distinções: o que o branco fez é pura literatura; mas as narrativas indígenas, não. Apenas mais recentemente uma parte de estudiosos busca colocar essas cosmogonias entre os textos literários, da mesma forma como ocorre com textos bíblicos ou as epopeias gregas. E muito mais recentemente ainda os indígenas conseguiram, eles próprios, publicar seus livros e suas histórias em seus nomes, sem intermediários.

Em Literaturas da Floresta - Textos Amazônicos e Cultura Latino-Americana, recém lançado pela Editora UERJ, a pesquisadora Lúcia Sá investiga a relação entre autores brancos e as narrativas indígenas e como cada um tratou o patrimônio dos nativos americanos. Vai de Gonçalves Dias, passa por Mário de Andrade, Darcy Ribeiro, Guimarães Rosa e até Mario Vargas Llosa, o mais abusado em termos de apropriação e manipulação do território simbólico indígena. Cita ela, nesta entrevista à Caros Amigos, que mesmo registros de antropólogos e diários de viajantes quase nunca citam nomes dos indígenas que lhes transmitiram as histórias. “Toda essa literatura foi publicada no nome de alguém que visitou ou trabalhou e os índios apareciam como meros informantes e não como os autores da história”, diz Lúcia. O trabalho da pesquisadora, que atualmente é professora de cultura brasileira na Universidade de Manchester, no Reino Unido, mostra também que o discurso que os ruralistas utilizam atualmente para justificar suas investidas sobre as terras indígenas tem suas raízes há séculos e está presente nas literaturas de branco e em bancadas conservadoras na política.

Caros Amigos - Você defende a linha da etnografia que busca dar status de literatura às narrativas indígenas. É caso de preconceito?

Lúcia Sá - Acho que, em parte, é um caso de preconceito; um preconceito muitas vezes não consciente. É também um caso de falta de conhecimento, as pessoas não conhecem e também não se interessam em conhecer. E também, de certa forma, são textos que têm sido lidos por uma antropologia mais tradicional, uma antropologia que tem feito um trabalho interessante, importante, mas para quem a abordagem literária não interessa. Aliás, muitas vezes são desconfiados dessas abordagens e dizem, com certa razão, que esses textos não são só literatura, que eles têm outras dimensões, enfim. Uma coisa que eu aceito; evidentemente, eles não são só literatura, como a Bíblia não é só literatura, como outros textos antigos não eram e não são só literatura.

Leia a reportagem completa na edição 205 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

Caixa de ódio: Arrigo Barnabé interpreta Lupicínio Rodrigues

Por Eliete Negreiros

Se à primeira vista pode parecer estranho que um compositor de vanguarda interprete um clássico da boemia basta você ouvir Caixa de Ódio para que essa estranheza seja substituída pelo espanto causado pelo modo absolutamente original com que Arrigo Barnabé interpreta as canções de Lupicínio Rodrigues. O genial compositor gaúcho, famoso por suas célebres canções de dor-de-cotovelo nunca foi interpretado com tanta inteligência e ironia! E eu falo em espanto naquele clássico sentido: aquilo que causa admiração.

Arrigo e eu ouvimos muito Lupicínio nos anos 1970, época em que o compositor gaúcho voltava à cena musical pela voz de Jamelão, no LP Jamelão Interpreta Lupicínio Rodrigues, com a Orquestra Tabajara, dirigida por Severino Araújo (1972); de Paulinho da Viola, que não só gravou Nervos de Aço, como deu este nome ao seu LP (1973); de Gal Costa, que gravou Volta, no LP Índia (1973), e de Caetano Veloso, com Felicidade, no LP Temporada de Verão(1974). Nos anos 1970, Lupicínio voltava a invadir a alma e o coração dos brasileiros com suas canções doloridas, seus fracassos amorosos, seu desejo de vingança.

Leia a coluna completa na edição 205 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

Entrevista: Rogério Cezar de Cerqueira Leite

EU DEIXARIA O PRÉ-SAL E INVESTIRIA NO PRÓ-ÁLCOOL

Um dos principais pesquisadores do País, Cerqueira Leite afirma que Brasil poderia com o etanol substituir 10% da gasolina do mundo


Por Aray Nabuco e Frédi Vasconcelos

Aos 82 anos, o engenheiro eletrônico e físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite entusiasma-se ao falar do Brasil e da produção científica, principalmente do Pró-Álcool, chegando a afirmar que o Brasil deveria deixar as reservas do pré-sal onde estão e investir o mais de 1 trilhão de dólares necessários para retirar o petróleo debaixo do oceano no etanol. Diz que com isso o Brasil poderia suprir 10% do consumo mundial de gasolina e ajudar a combater o efeito estufa, o maior risco que vê hoje para a humanidade. Defende também a pesquisa científica e destaca a criação dos quatro laboratórios nacionais que ajudou a construir e dirigiu, porque são equipamentos que podem ser usados por cientistas brasileiros e de todo mundo para fazer pesquisa de base e criar tecnologias.

Leia abaixo os principais trechos de entrevista exclusiva concedida à Caros Amigos em sua casa em Campinas, onde trabalha e convive com diversas obras de arte, sua outra grande paixão.

Caros Amigos – Gostaria de pedir ao senhor uma análise sobre a política de ciência e tecnologia do Brasil de uma maneira geral.

Rogério Cezar Cerqueira Leite – Acho que um país como o Brasil precisa ter um grande esforço em certas áreas que não podem ser deixadas para trás. Recentemente houve grande acerto do governo, que resolveu fazer alguns laboratórios nacionais. São laboratórios abertos a qualquer pesquisador que queira desenvolver seus estudos, seja universidade, seja empresa. Os projetos são avaliados duas vezes por ano. Se é bom, é selecionado. São justamente os quatro laboratórios dos quais fui presidente até recentemente, de nanotecnologia, de biotecnologia, criados um pouco antes graças a um apoio especial do ex-presidente Lula. Ele entendeu os projetos e deu bastante apoio. O outro laboratório é o Síncrotron, que já está construído e atua da mesma maneira, como laboratório aberto. E um quarto, que é uma necessidade para o setor de energia, que se dedica ao etanol. O etanol ainda tem muita coisa a ser desvendada, muita tecnologia ainda a ser desenvolvida. Basta dizer que não existe nenhum artigo brasileiro sério sobre a fotossíntese. Existem trabalhos na Índia, alguns poucos nos Estados Unidos... No Brasil deixaram isso para lá. Desenvolveram muitas tecnologias, mas sem conhecer a especificidade dessa planta, a cana. Nesses laboratórios são feitas pesquisas de base e desenvolvidas tecnologias. Os grandes equipamentos, como o Síncrotron, foram projetados e feitos inteirinhos no Brasil, com muita tecnologia e muita engenharia inclusive.

Leia a entrevista completa na edição 205 de Caros Amigos nas bancas e loja virtual

Washington derruba presidentes eleitos em voto democrático e empossa mercenários, ditaduras que aterrorizam os cidadãos indefesos

Por Gershon Knispel

Parecia que a Guerra Fria tinha terminado em fins dos anos 1990, mas equivocamo-nos redondamente. Mikhail Gorbachev, ex-líder da União Soviética, é tido como aquele que trouxe fim à hegemonia que se desdobrava como um guarda-chuva protetor sobre os países da Europa Oriental, e com essa renúncia apressou a queda do Muro de Berlim.

Se realmente o Tratado da Otan surgiu da “ameaça” vinda do Leste comunista, era lícito acreditar que com o desaparecimento da ameaça também a Otan encerraria suas funções e se dissolveria. Pensava-se que o mundo poderia ter um suspiro de alívio, mesmo ao preço da dissolução da União Soviética. E todos se iludiam como sonhadores...

Leia o artigo completo na edição 205 de Caros Amigos nas bancas ou loja virtual

Mais artigos...

×

×
CORREIO CAROS AMIGOS
powered by moosend