A cor do tempo quando fogeFEMINILIDADE A sociedade não tolera que a funkeira Valesca Popozuda seja tema de prova no Distrito Federal, e se ri quando ela é cotada como “grande pensadora contemporânea”, mas faz vista grossa ao festival de besteiras, especialmente da nova direita... (Foto: Divulgação)

Flagrantes da história

Por Aray Nabuco

Quando as tropas do general Olímpio Mourão Filho, saídas de Juiz de Fora (MG), chegaram ao Rio de Janeiro, no que foi o início do golpe de 1964, lembrado pelos 50 anos neste 2014, Evandro Teixeira já manejava sua Leica para o Jornal do Brasil (JB), então, o grande e moderno jornal onde havia entrado no ano anterior. Às fotos exclusivas da tomada do Forte de Copacabana, feitas sob chuva torrencial, algumas ao estilo filme noir, seguiram-se muitas outrasque hoje formam um dos importantes legados iconográficos da história recente, principalmente do Brasil, embora inclua a morte do poeta chileno Pablo Neruda, cujas fotos são únicas. Evandro Teixeira é daqueles que estava no lugar certo, na hora certa, contou com um pouco de lábia, mas, sobretudo, teve a expertise dos bons fotógrafos: o clique dos movimentos, gestos, posturas e feições que expõem numa imagem mais que muitas palavras.

A relação com a ditadura marca a vida do fotógrafo, como marcou a de toda uma geração. Como suas imagens, que revelam o momento histórico, as ameaças e prisões que enfrentou revelam o lado mais abusado das ditaduras, na qual a ausência de direitos civis e poderes absolutos dão asas a desejos pessoais e vaidades do ditador. Não que Evandro fosse perseguido por militância política, mas mais por birra dos generais, como quando levou uma “lição” de Costa e Silva por causa de uma decisão do editor do JB, que preferiu manchetar na capa a foto “errada” de uma exposição e mostrar o ditador apenas em uma foto pequena na matéria no interior do jornal. A imagem de libélulas pousadas nas baionetas de espingardas usadas na Guerra do Paraguai – cuja mostra no Rio o presidente fora inaugurar –, valia sim a capa, era até simbólico para o período; mas não para o general. “Quando eu cheguei no Palácio das Laranjeiras, onde era credenciado, alguém avisou o Costa e Silva, que me mandou chamar no gabinete. E ele deu uma bronca, ‘Você não me respeita? Como é que você publica uma merda daquela foto na primeira página e o presidente lá dentro?’”, conta Evandro Teixeira, puxando da memória de seus anos de chumbo. “Eu disse ‘Senhor presidente, desculpa, mas é uma questão de edição’. E ele se lixou e mandou prender, passei um dia na cadeia.”

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O Ornitorrinco

Por Sérgio Vaz

Jamilton
Nasceu no Pará
Numa usina de carvão.
Como o pai, seu Vavá,
Também começou aos seis
Com uma pá na mão.

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50 anos mais tarde, mas não menos atual

Por Gershon Knispel

Ainda em 1956 fiz três telas de grandes dimensões. A primeira, Agência de Trabalho, quando exposta no Museu de Haifa em precedência a ser exibida no Pavilhão de Israel na Bienal de Jovens Artistas em Moscou, 1967, causou um escândalo público quando o prefeito da cidade e o secretário municipal do Trabalho exigiram cancelar o envio para Moscou, com o argumento de que o quadro fora feito como propaganda, para incutir entre os judeus soviéticos a oposição à emigração para Israel, onde o desemprego imperava.

Muitos dos presentes na abertura da exposição, e o próprio apresentador do evento, o escritor Iehoshua Bar-Iosef – rejeitaram a crítica, sustentando que a obra descrevia fielmente o que de fato acontecia na agência, que estava fechada há semanas.

Este quadro, com mais 49 de outros artistas,foi expedido em caixotes apropriados, e extraviou-se na escala intermediária de Viena; outras três telas de mesmo tamanho (195 por 356 centímetros) com a incisão original das gravuras, foram enviadas para o Brasil, onde chegaram em 1958: a primeira, uma versão adicional da Agência de Trabalho com acréscimo de um cachorro de rua; a segunda, o ato de subscrição de um Manifesto de Paz na cidade mista de Acco (Acre), segundo desenho de meu colega, o venerado pintor Shimon Tzabar, que, demasiado ocupado como jornalista, não conseguira executá-lo como pintura de parede aumentada a partir do risco original. Ele concordou que eu levasse a cabo o aumento, transformando-o numa grande tela monumental; a terceira foi dedicada aos desalojados – civis da minoria árabe que tiveram que abandonar suas casas destruídas, ficando sem teto, ao desabrigo.

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Saudade do Brasil

Por Eliete Negreiros

Foi ouvindo Saudade do Brasil que fui tomada por uma profunda melancolia: a saudade que Tom Jobim sentia transformou-se nesta belíssima composição musical, que não representa a melancolia,mas é a melancolia em forma de música, mais forte que a palavra, tristeza indizível que tento agora traduzir... Em vão? Fiquei me perguntando se Tom estava em Nova York, sentindo saudade do Brasil, ou se no Brasil,sentindo saudade do que já não há, como na canção Sabiá, em que o poeta diz “vou deitar à sombra de uma palmeira que já não há, colher a fl or que já não dá”... Não sabia. Escrevi a um amigo do Tom perguntando, mas ele também não sabia. Lembrei então de procurar na biografi a que Sérgio Cabral escreveu, quem sabe a resposta não estava lá? E estava mesmo: “O título da música nasceu num dia em que Tom estava no hotel (em Nova York) e pegou uma faca para cortar carne. Era uma faca muito afi ada e que trazia impressa a expressão Made in Brazil”, conta Sérgio Cabral.

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Idade Média, Idade Média

Por Marcos Bagno

Ao tratar das novas propostas para o estudo e o ensino de língua no Brasil, o linguista Sirio Possenti, numa das colunas mais recentes de seu blogue, escreveu: “Ao contrário do que muitos pensam, não se trata de introduzir teses de esquerda nas aulas de português, mas de introduzir teses que não sejam medievais sobre a realidade linguística mais banal e propor um tratamento escolar dos fatos de forma a facilitar o domínio da chamada norma culta. Portanto, é um projeto que poderia facilmente ser chamado de conservador. Só a ignorância elementar pode acusar estas teses de serem, por exemplo, de esquerda.”

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Gabo em Havana

Por Frei Betto

Meu último encontro com Gabriel García Márquez e Mercedes, sua mulher, foi em Havana, a 11 de dezembro de 2008. Ele parecia cansado e já demonstrava sinais da enfermidade que o consumiria.

Conheci-o na capital de Cuba, em fevereiro de 1985. Perguntei-lhe se havia terminado seu novo romance, O Amor nos Tempos do Cólera.

— Terminei o texto linear. Agora trabalho nos acertos.

Gabo havia enviado o texto a Fidel, que pouco depois chegou à casa onde nos encontrávamos. Ansioso, indagou se o Comandante já havia lido os originais.

— Sim, e com muita atenção – disse Fidel - Descobri um erro crasso. Gabo fi cou lívido.

— Você escreve que um barco saiu de Cartagena transportando toneladas de ouro. Fiz alguns cálculos. Um barco da época, todo madeira, teria afundado no próprio porto.

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