POLÍTICA

DILEMAS DA NOVA ERA DA ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA

Encontro internacional, em São Paulo, debate a atual crise do capitalismo, as mudanças em andamento e as perspectivas da esquerda.

Por Gabriela Moncau

“Adentramos em nova era da luta de classes em escala global”. “Há um novo desenho da classe trabalhadora na América Latina”. “Somos mais dependentes e vulneráveis economicamente do que nunca fomos”. “É um continente de rebeliões e contrarrevoluções”. “Vivemos uma dupla tendência, progressiva e regressiva”. “Há um processo de reversão colonial”. “O que significou esse desenvolvimentismo de esquerda?” “É um espaço construído a partir da rebeldia e do desacato à forma de pertencimento”.

As frases são recortes dos muitos debates que aconteceram durante o simpósio internacional “A esquerda na América Latina – história, presente e perspectivas”, realizado entre os dias 11 e 13 de setembro na USP. Com auditórios lotados de manhã até a noite, o evento foi organizado por Osvaldo Coggiola, Lincoln Secco, Rodrigo Ricupero, Jorge Grespan, Marcos Silva e Francisco Alambert.

“Nunca a humanidade esteve tão próxima de uma catástrofe atômica”, alertou o geógrafo André Martin, especializado em regionalização e geopolítica, concordando com a fala do cientista político Leonel Itaussu, que o antecedeu. Apesar de ter mentido para a plateia, como brincou, por não ter falado especificamente nem de esquerda, nem de América Latina, Itaussu pintou um panorama da explosiva geopolítica mundial, lembrando que menos de dez países têm bombas com capacidade para destruir o planeta várias vezes.

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"Humor é a expressão mais elevada da complexidade humana"

Por Gabriela Moncau

Laerte está em crise. Um dos mais consagrados cartunistas do país dá uma risada descontraída ao ser perguntado sobre seus planos futuros: "Não sei onde quero chegar, não". "Tenho vontade de fazer uma revista com o Angeli, de voltar a publicar histórias de outros autores. Mas fazer histórias tem sido difícil, tenho tido grandes dificuldades com meu próprio traço, com as minhas histórias", expõe, dizendo que a insatisfação e a impaciência têm sido surpreendentes, "até para mim". "Nunca achei meu trabalho do cacete", afirma modestamente um dos mestres dos quadrinhos brasileiros, "mas ultimamente tem sido mais penoso".

Os motivos? Difícil dizer. Mas um dos temas que tem emperrado o artista é a compreensão do humor. Depois de um suspiro, sintetiza: "Para dizer de maneira simples, nos anos 1960, 1970, quando eu comecei a desenvolver essa linguagem profissional, desenvolver o humor, fazer piadas combativas e tudo, para mim o humorista era sempre alguém de combate, era sempre alguém de esquerda, que estava contra a ditadura e a ditadura era o mal e a gente era o bem. Era uma coisa bastante simplista". "A minha história, minha vida, e as décadas vieram colocar outras questões na mesa. E, hoje, eu vejo o humor, além de uma excelente arma de contestação, de transgressão – que é o que me interessa –, também uma ferramenta a serviço da manutenção de preconceitos, de valores conservadores", resume.

Se você faz uma piada, você precisa da cumplicidade dos ouvintes ou leitores. Partindo dessa premissa que Laerte Coutinho considera essa questão como um "problema extra" ao seu trabalho. "É muito comum você encontrar exemplos de discursos humorísticos chocantemente reacionários. Tenho pensado que se as pessoas

estão rindo, talvez seja interessante ver que tipo de piada é essa, quem são essas pessoas", reflete, exemplificando que se ao contar uma piada, "um bando de machos escrotos misóginos e homofóbicos dão risada coçando seus sacos, eu preciso ficar preocupado. Eu não quero essa risada. Daí que muitas vezes eu não quero nem risadas, quero trabalhar humor de uma forma... eu não sei..."

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MC LEONARDO

INFORMAÇÃO, MOBILIZAÇÃO E MUITA LUTA

Nos últimos quatro anos, intensifiquei minha luta pelo reconhecimento do Funk carioca como manifestação cultural popular. Isso aconteceu, porque encontrei no caminho diversas pessoas de variadas áreas que entraram de corpo e alma para todas as batalhas que enfrentamos até hoje.

Mas as pessoas que o Funk mais precisa que lhe defenda é justamente os moradores das favelas, pois são eles quem produzem, compõem, vendem, divulgam e compram sua própria cultura.

Avanços significativos aconteceram nesse curto período de tempo, o movimento nunca mais será o mesmo diante da nossa movimentação. O que me deixa preocupado é com a falta de espírito de reação do povo favelado.

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Entrevista: Teresa Cristina

“Quem me levou para o samba foi o Candeia”

Por Otávio Nagoya

Compositora, intérprete e sambista. Mulher, mãe, negra, umbandista e progressista. Teresa Cristina Macedo Gomes nasceu no dia 28 de fevereiro de 1968, em Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Ainda criança se mudou para a Vila da Penha, subúrbio da Zona Norte carioca, onde morou até os 26 anos. Foi lá que Teresa Cristina conheceu o samba, apesar de não prestar muita atenção, através dos discos que seu pai ouvia. Mas o que gostava mesmo era dos bailes, onde dançava ao som da disco music. Com 15 anos, colocou os pés no primeiro terreiro de umbanda e se encantou pela religião, seguindo seus ensinamentos até hoje, além de ter sido uma grande inspiração para sua música.

Depois de entrar para o curso de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Teresa Cristina se mudou para a Zona Sul, onde entrou em contato com a turma do samba, resgatando, agora com maior interesse, sua influência de infância. Na UERJ, militou pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no Diretório Central dos Estudantes (DCE), mas demonstra um certo desânimo com o atual cenário político. Foi nessa época que começou a compor suas primeiras canções, mas sua timidez impedia uma grande divulgação. Foi somente nos palcos que Teresa Cristina superou sua timidez, mas afirma que ainda se esforça para enfrentar o problema.

Em 1998, reuniu músicos para fazer um show somente com canções do sambista Candeia (1935-1978), que era recorrente na vitrola de seu pai, mas que ela passou a apreciar anos depois. O projeto não deu certo, apesar de ainda estar em seus planos, mas marcou o início da carreira musical de Teresa Cristina, que, acompanhada do Grupo Semente, passou a se apresentar frequentemente nos bares da Zona Sul e posteriormente por todo Brasil e no exterior. Foi também através da música de Candeia que ela se identificou com a sua negritude, apesar da ter sofrido racismo e até questionado sua etnia. Em 2009, deu à luz uma menina e se mudou para a Vila da Penha com sua família, onde vive até hoje.

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Vidas incendiadas

Por Tatiana Merlino

Quando seu Amadeu chegou a São Paulo, em 1959, vindo de Urucânia, Minas Gerais, a localidade onde nasceu ainda pertencia à cidade de Ponte Nova. Quando veio a emancipação, em março de 1963, o hoje senhor de 70 anos já havia ajudado a erguer muitas paredes do famoso prédio da Praça 14 Bis, casas na rua Barão de Ladário, no bairro do Brás, e muitos sobrados no bairro do Campo Belo, onde vive há 42 anos.

Porém, não é em nenhuma das casas que Amadeu de Castro construiu que ele vive. Longe disso. Até o dia 3 de setembro deste ano, ele morava em um barraco na favela Jardim Sônia Ribeiro, conhecida como Morro do Piolho. Nesse dia, a favela foi incendiada e seu Amadeu, assim como as outras pessoas que moravam nos 285 barracos que pegaram fogo, perdeu tudo que tinha. Hoje, ele dorme numa barraca de lona improvisada. "Tô lá com a velha. Nessa noite, não conseguimos dormir, tava um fedor muito ruim de fossa", lamenta, sentado na escada do barraco emprestado onde sua filha, Silvana, de 37 anos, está instalada desde o incêndio.

"Já escapuli de três incêndios e um despejo", conta o senhor negro de cabelos e barba branca, com um sorriso resignado no rosto marcado pelos anos. Em Urucânia, seu Amadeu trabalhava na roça "puxando facão e enxada". Mudou-se para São Paulo seguindo o sonho do imigrante que quer tentar a vida na cidade grande.

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