sociedade do cansacoIDEIAS DE BOTEQUIM Somos todos coagidos à exposição, que nos despoja de nosso rosto. A tirania da visibilidade nos exige que todos, o tempo todo, se convertam em imagem. E as imagens têm sempre que sorrir, ninguém pode tirar fotos em estado natural. (Foto: Divulgação)

Perfil de Dom Paulo Evaristo Arns

Por Paulo Rogério Gilani

Dom Paulo Evaristo Arns tornou-se uma das figuras centrais na história da resistência à ditadura civil-militar no Brasil. Como religioso à frente da CNBB, colocou a Igreja ao lado dos presos, torturados e desaparecidos com a mesma diligência e coragem com que já atuava
na periferia de São Paulo em favor dos oprimidos por meio das comunidades eclesiais de base e pastorais. Afastado da CNBB na reforma conservadora de João Paulo II, hoje, aos 93 anos, o arcebispo emérito de São Paulo vive recluso em um convento em Taboão da Serra. Um de seus legados, o primeiro registro publicado sobre os horrores da ditadura e, com nomes de mortos e desaparecidos, o projeto Brasil Nunca Mais, é documento fundamental do período.

Quem lembra a atuação do cardeal é o jornalista e escritor Ricardo Carvalho, autor de dois livros sobre dom Paulo Arns, O Cardeal e o Repórter e o Cardeal da Resistência, que define a atuação dele no combate ao regime ditatorial militar como de fundamental importância
para a redemocratização não só no Brasil como também em diversos países na América Latina. “Poucas pessoas se lembram da ação
de dom Paulo na região. Ele chegou a receber manifestantes refugiados políticos e torturados por diversos regimes de opressão na América Latina”, ressalta Carvalho.

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Pouca verba para a educação e seu mau uso condenam brasileiros a baixo nível de escolaridade

Por Otaviano Helene

Uma das maneiras de avaliar as perspectivas educacionais de um país é comparar o investimento no setor com suas possibilidades econômicas, ou seja, com o seu produto interno bruto (PIB). Usando esse critério, vemos que os países que já têm um sistema educacional consolidado e não têm grandes proporções de crianças e jovens em suas populações investem entre 7% e 8% de seus PIBs em educação pública para manter o sistema. Esses percentuais do PIB significam que, em média, entre 7% e 8% dos trabalhadores e
de todos os bens e serviços produzidos no país são dedicados à atividade educacional.

Muitos países investem proporções ainda maiores de seus PIBs em educação pública. Entre as razões para isso estão a existência de grandes proporções de jovens em suas populações, a superação de atrasos escolares acumulados, ou, ainda, a manutenção de excelentes sistemas educacionais. Entre exemplos de países que investem ou investiram em períodos recentes altos percentuais de seus PIBs em educação, e que representam regiões geográficas e realidades econômicas e sociais bastante diversificadas, estão Guiana, Dinamarca, Moldávia, Timor-Leste e Cuba, sendo que os três últimos chegaram a investir ou ainda estão investindo valores superiores ou mesmo muito superiores a 10% de seus respectivos PIBs.

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A tragédia anunciada da exploração mineral no Brasil

Por João Pedro Stedile

Caros amigos, estive recentemente numa audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado, aonde dei depoimento sobre as perseguições políticas que a empresa Vale tem feito contra o MST e contra todos os que se opõem a seus projetos mirabolantes de espoliação de nosso território. A refl exão geral ocorrida na audiência foi mais além e trouxe elementos sobre a natureza da exploração mineral no Brasil, que ainda padece da herança maldita deixada pelo processo neoliberal implementado no governo FHC.

Durante este governo, entregaram a Vale do Rio Doce, que era estatal, para um consórcio em que, hoje, 52% das ações com direito a lucro estão nas mãos de fundos de investimentos brasileiros e estrangeiros. E os outros 42% são divididos entre o fundo Previ do BB e o BNDES. No auge do preço alto do ferro, em 2011, a Vale teve um lucro de 29 bilhões de reais, divididos entre seus acionistas.

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Nos tornamos cool, como se diz hoje, indiferentes ao sofrimento alheio

Por Gershon Knispel

Na prateleira de uma livraria chamou--me a atenção um grosso volume, a capa bem composta. Ao centro, uma cruz e uma palavra centuada como que em relevo, em dourado metálico: Soldados.

Abaixo, um grupo de soldados da Wermacht, com talhados capacetes de aço cor de chumbo, bem condizentes com o dito de Brecht: “Se tirassem o capacete, poderiam perceber as estrelas brilhando”.

Sua silhueta é aquilina, ameaçadora; sua fisionomia é um mau prenúncio, transmite uma determinação satânica desenfreada. Em cima, a escrita em ouro em letras garrafais: Soldados.

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Para decidir os rumos do Brasil

Por Frei Betto

Mês que vem começa a propaganda eleitoral compulsiva e compulsória. Mais uma eleição em outubro, da qual é importante todos nós participarmos. Antes, porém, haverá algo tão importante quanto: o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana,
na Semana da Pátria (1º a 7 de setembro).

Eis a ocasião de dar uma virada no jogo! Vamos responder à questão: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana
sobre o sistema político?” Adianto aqui a minha resposta: eu sou.

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Hegel, Marx e América Latina

Por Andrés Soliz Rada

Hegel, Marx e América LatinaHegel considera que a América Latina é o continente do futuro porque não tem história. E não tem história porque não participou da história, já que ela, em seu juízo, é patrimônio da Europa. Em outras palavras, não encontrou seu destino. Eduardo Mayobre, em Introducción a América Latina Através de Jorge Guillermo Federico Hegel, recorda que, para Hegel, a América tem futuro, porém não o conhece porque não é profeta. Em consequência, a América está na pré-história. América é pré--história. É só geografia e paisagem.

A pré-história é o lugar no qual não acontece nada humana ou espiritualmente importante para a história da humanidade. Seus habitantes
são, então, javalis ou formigas. Mais adiante, poderão fazer sua história, mas, agora, são só natureza, já que a natureza precede e prepara o espírito. Na mistura de animais e paisagem fermenta o humano. O desenvolvimento universal do espírito só ocorreu na Europa
e na Ásia. A América, até agora, não tem originalidade nem signifi cação histórica. Jorge Abelardo Ramos diz, com seu clássico sarcasmo,
que só na linguagem hegeliana se admite a identifi cação do arcabuz de Pizarro, o cuidador de porcos, com o “espírito”.

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