Quem quer proibir o funk não sabe dar sarrada...

Max Maciel
Typography

 

Quem quer proibir o funk não sabe dar sarrada...

Por Max Maciel 

É isso! Imagina um cara chegar à festa e começar a tocar o funk brasileiro, estilo musical que faz até nossa mãe balançar, mas o cara não. Irritado, ele sai da festa e começa a bolar um plano para acabar com aquilo que o deixa ficar isolado nos cantos da festa. Pronto, tá aí o projeto “É só proibir”, que foi proposto por um empresário de São Paulo via o e-cidadania.

Brincadeiras à parte, o assunto é sério. Estamos de volta à década de 1930, época em que o samba passou pela mesma perseguição. E a capoeira? O rap?! Pois é, por detrás deste projeto está o preconceito de classe.

Leia mais:

Sem nome, muito menos sobrenome

Quando ocupar se torna um ato pedagógico

O que é vandalismo para você?

PUBLICIDADE
,
PUBLICIDADE

Pelas rimas e letras, basta traduzir as versões explícitas que tocam todo dia na rádio. O duplo sentido do sertanejo ao machismo das dancinhas do Axé. Cada dia surge a crítica sobre um variado estilo, mas proibir é algo sério, perverso e digno de um Estado de Exceção. 

"Das reclamações, estão os pancadões e a questão de saúde pública. Ambos não são culpa do funk, mas sim do Estado. Os pancadões existem justamente devido à falta de espaços culturais nos territórios e daí, pela necessidade de se divertirem e de terem lazer, improvisam a rua. A vizinhança reclama, a polícia aparece, mas o som sempre continua. Talvez se tivessem locais para cultuar sua arte a rua seria apenas o laboratório"

Das reclamações, estão os pancadões e a questão de saúde pública. Ambos não são culpa do funk, mas sim do Estado. Os pancadões existem justamente devido à falta de espaços culturais nos territórios e daí, pela necessidade de se divertirem e de terem lazer, improvisam a rua. A vizinhança reclama, a polícia aparece, mas o som sempre continua. Talvez se tivessem locais para cultuar sua arte a rua seria apenas o laboratório. 

E a saúde?! Paramos praticamente de falar sobre saúde sexual e reprodutiva. Não se vêem mais campanhas de uso do preservativo e trocando papo reto sobre sexo. Aliás, pelo discurso fica até parecendo que só fazem se ouvir o funk.

O funk é uma expressão legítima da juventude periférica. Dar voz, poder e prestígio em locais onde o crime era a oportunidade. Gera uma economia com shows, clips, e técnicos de variadas áreas. O que o funk precisa é ser o que é: livre. 

Qualquer proposta no sentido de proibir, reforça que, ao invés de apostar na educação e na cultura, mais uma vez reprimimos. 

 "É som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado..." 


 

 

 Max Maciel, jovem periférico nascido e criado em Ceilândia, maior periferia do Distrito Federal, é ativista social, pedagogo de formação e especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça pela Universidade de Brasília (UnB).

Artigos Relacionados

O que aconteceu com a gente?! O que aconteceu com a gente?!
COLUNA "Fico dias e horas tentando criar uma misancene para que a juventude não caia ainda...
Sem nome, muito menos sobrenome Sem nome, muito menos sobrenome
DIREITOS Max Maciel, colunista de Caros Amigos, escreve sobre a situação das mulheres no sistema...
O que nos impede de nos unir? O que nos impede de nos unir?
COLUNA Leia artigo de Max Maciel, ativista social e periférico, sobre a necessidade da união da...

Leia mais