Bolsonaro quer ser o Trump do Brasil

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Bolsonaro quer ser o Trump do Brasil

Por Altamiro Borges

Xenófobos, racistas, machistas, homofóbicos e outros psicopatas estão em festa no mundo todo com a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA. Grupos neonazistas da Grécia, França e de outras partes já enviaram felicitações ao magnata ianque que surpreendeu na disputa pela Casa Branca. Do Brasil, um dos primeiros a se pronunciar foi o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Pelas redes sociais, ele comemorou: “Vence o melhor, o patriota, aquele que lutou contra tudo e todos. Em 2018 será o Brasil no mesmo caminho". O sonho do fascistoide nativo, que já antecipou a sua pré-candidatura à presidência da República, é ser o Donald Trump do Brasil.

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De imediato, seus fanáticos seguidores congestionaram o Twitter na manhã desta quarta-feira (9). “Agora só falta Bolsonaro 2018”, disparou um aloprado. Uma jovem fez as suas preces: “Agora vai! Amém Bolsonaro 2018”. “A direita chegou para botar ordem”, rosnou um terceiro. E outro festejou: “Bolsonaro 2018 nos trends mundiais”. Centenas de outros seguiram na mesma cavalgada. Houve, lógico, quem debochou da festa direitista: “Crivella ganhou do Freixo aqui e Trump ganhou da Hillary lá. Desse jeito vai dar Bolsonaro em 2018 e Hitler vai ressuscitar na Alemanha”. Outro lamentou o triste cenário: “Trump presidente, Bolsonaro 2018, terceira guerra mundial, meu Deus cancela esse mundo”.

Deixando de lado a guerrilha na internet, o cenário é, de fato, perturbador. Donald Trump também já foi tratado como um ricaço narcisista sem qualquer chance de vitória nos EUA. Durante anos, ele ocupou espaços privilegiados na mídia, inclusive com o seu programa de “negócios” – plagiado por João Doria no Brasil. Da mesma forma, o fascistoide Jair Bolsonaro segue com as suas provocações sem ser incomodado. Nesta terça-feira (8), ele voltou a homenagear o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais símbolos da sanguinária ditadura militar no País, durante a sessão do Conselho de Ética da Câmara Federal que discute o pedido da sua cassação.

“Sou capitão do Exército, conhecia e era amigo do coronel, sou amigo da viúva... O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra recebeu a mais alta comenda do Exército, a Medalha do Pacificador, é um herói brasileiro”, esbravejou o deputado. Com a atual composição ultraconservadora da Câmara Federal, Jair Bolsonaro deverá novamente ser absolvido. Ele pode fazer apologia do estupro, dar declarações machistas e racistas, desacatar a honra de outros parlamentares, que nada lhe acontece. Isto ajuda a explicar a sua excitação com o resultado eleitoral nos EUA e porque ele acalenta o sonho de ser o Donald Trump do Brasil.

Texto publicado originalmente na Carta Maior.


 

Altamiro Borges é jornalista e coordenador do Centro de Estudos Alternativos de Mídia Barão de Itararé

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