'A Invasão Corinthiana' relembra marco da paixão pelo futebol

Cultura
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Da Redação

CORINTHIANS-intEm "A Invasão Corinthiana" os jornalistas Tatiana Merlino, editora de Caros Amigos, e Igor Ojeda registram uma das maiores demonstrações de amor a um time já vista no mundo, o dia em que a Gaviões da Fiel invadiu o Maracanã para empurrar o Corinthians à final do Brasileirão de 1976. O episódio, conhecido pelo título que dá nome do livro, é considerado também 'o maior deslocamento humano por causa de um time de futebol'. A obra tem lançamento segunda-feira, 5, a partir das 18h30, na Livraria da Vila, em São Paulo (Rua Fradique Coutinho, 915).

O jogo contra o Fluminense foi emocionante, decidido nos pênaltis depois de empate na prorrogação, e teve lances prosaicos, como uma macumba do então treinador Duque.

Abaixo, Tatiana Merlino conta um pouco do trabalho. Neste ano, este marco de paixão pelo futebol faz 35 anos.

 

Como surgiu a ideia do livro?

A ideia é de João Roberto Marinho, dono da editora LF Editorial, que esteve na Invasão Corinthiana de 1976. Como não havia nenhum livro registrando esse momento histórico do futebol, ele convidou a mim e ao Igor Ojeda para fazer um livro reportagem, aproveitando que esse ano comemora-se 35 anos da Invasão.

Obviamente, ficamos entusiasmadíssimos em pôr em prática esse projeto. Pois a Invasão Corinthiana é um acontecimento fantástico, único, sem precedentes e que nunca voltou a ocorrer. O Igor, por exemplo, desde criança ouve falar dessa história, porque seu pai é “corinthianíssimo”. Acho que todo corinthiano, independentemente da idade, tem conhecimento e orgulho dela. Mais: não é um acontecimento apenas vinculado ao futebol. Foi um fenômeno sociológico, que "assombrou" o país na época. Muitos jornais e revistas dedicaram algumas de suas páginas logo após o episódio para tentar entendê-lo.

Quais fontes vocês usaram?

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Entrevistamos 30 pessoas: torcedores que percorreram os 400 quilômetros entre São Paulo e Rio, jogadores do Corinthians que atuaram naquela partida, jornalistas e dirigentes. Além disso, pesquisamos em revistas e jornais da época.


Qual era o número de torcedores no Maracanã?

O público pagante foi de cerca de 147 mil pessoas. Somando-se ao número de não pagantes (que é desconhecido, mas sabe-se que era e é prática comum no Brasil), devia estar presente no Maracanã naquele dia entre 150 e 160 mil pessoas. Destas, estima-se que mais ou menos a metade era corinthiana.

Houve alguma dificuldade nas pesquisas?

Na pesquisa, alguns meios de comunicação ainda não disponibilizam seu acervo. Essa foi a maior dificuldade. Mas o mais difícil foi achar certas fontes e realizar as entrevistas, pois queríamos que todas fossem ao vivo, para não perdermos a riqueza dos detalhes, para dar tempo de o entrevistado se sentir mais à vontade, relaxar e lembrar mais detalhes. Assim, algumas foram mais difíceis de marcar. Nas entrevistas em si, a dificuldade encontrada foi de a pessoa lembrar algo que aconteceu há 35 anos. Muitas lembranças se perdem ou se confundem. Mas, no geral, as entrevistas foram muito proveitosas. Houve também a dificuldade de tempo, pois ambos trabalhamos em lugares fixos - eu, na Caros, o Igor Ojeda, no jornal Brasil de Fato.

Há alguma história ou passagem ou personagem no livro de que mais gosta?

Há várias, mas destaco o trecho sobre o episódio em que o então treinador do Corinthians, o Duque, chama um pai de santo para ajudar o Timão a vencer o jogo. Na véspera, noite de sábado, o volante Ruço e outros jogadores do Corinthians são chamados para o quarto do Duque, e chegando lá, encontram-no cheio de velas e incensos. Um dos jogadores, Geraldão, incorpora uma “entidade” e o pai de santo também, que chama Ruço de lado, e diz que ele fará o gol, mas desde que dê três tapas na bunda do Rivellino, que havia sido vendido justamente ao Fluminense em 1975.

Dá pra dizer que a Fiel é mais 'fiel' das torcidas devido a esse esforço mostrado no Maracanã?

A Invasão é um episódio protagonizado pela torcida e, desse modo, é a expressão do que é ser corinthiano: apaixonado, persistente, aquele que nunca desiste, mesmo com o time, em 76, já há 22 anos sem ganhar um título importante. Aliás, é sabido que a torcida corinthiana só cresceu durante a seca de conquistas, em vez de minguar. Por isso que o apelido de Fiel é muito apropriado. Não sei se é a mais fiel de todas, mas, até onde sabemos, até hoje é a única do mundo que protagonizou algo como a invasão ao Rio de Janeiro.

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Correio Caros Amigos

 
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