“A cultura da cidade de São Paulo está agonizando”, denuncia artista em ocupação de Secretaria de Cultura

Cultura
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Grupo de artistas ocupou o prédio da Secretaria e pedem saída de André Sturm 

Por Lu Sudré
Caros Amigos

A Galeria Olido, onde está localizada a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (SMC), no Largo do Paissandú, no Centro, nunca esteve tão cheia de artistas. Desde a tarde desta quarta-feira (31), dezenas de ativistas culturais ocuparam a sede da Secretaria para exigir a renúncia ou demissão imediata de André Sturm, nomeado por João Doria para gerir a pasta.

Nas últimas semanas, a Frente Única de Cultura - que aglutina artistas do teatro, música, dança, circo, artes plásticas e visuais -  já estava realizando atos para denunciar o desmonte agressivo das políticas públicas de cultura protagonizado pela Secretaria, que congelou 43,5% de seu orçamento. O estopim que resultou na ocupação foi a ameaça de agressão física que Sturm fez ao ativista cultural Gustavo Soares, membro do Movimento Cultural Ermelino Matarazzo, que compõe a Casa de Cultura na Zona Leste. Em reunião que aconteceu na segunda-feira (29), ao ser chamado de "desequilibrado" por Gustavo, o secretário respondeu: "Se você falar assim eu vou quebrar sua cara. Isso mesmo: vou quebrar sua cara". Em seguida, Sturm afirmou que mandaria fechar a Casa de Cultura. "Acabou a molecagem", completou.

Rafael Ferro, produtor de teatro do Grupo Redimunho de Investigação Teatral, condena a agressão de Sturm. “Ele tinha que vibrar com aquela casa de cultura. Ela é linda. Um prédio há 20 anos fechado, a galera ocupou, criou um novo ponto de cultura e ele ainda questiona quando deveria se juntar. Ameaçou fechar, ameaçou bater. Sabemos desde o início como eles agem. Diz que há diálogo, mas não há. Que Secretaria é essa?”, questiona o produtor, presente na ocupação desde o início.

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Além do congelamento de verba, a SMC suspendeu editais, como o de Fomento à Dança, ao Circo, ao Teatro, o projeto Jovem Monitor Cultural, além de não dar sequência a outros projetos como o Programa de Iniciação Artística (PIA) e o Programa Vocacional, que existem há anos. Com palavras de ordem como “Fora Sturm” e “Fora Doria”, os artistas ainda denunciam a interferência no resultado da seleção do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI). “O Doria só está fazendo a devolutiva pros patrocinadores, para seus empresários”, complementa Ferro.

O ator de teatro de rua, Marcos de Ferreira, da Companhia dos Inventivos, endossa que o movimento exige a saída imediata do secretário. “Nós estamos na maior cidade da América Latina. São Paulo é a vitrine cultural pro mundo inteiro. A cultura da cidade de São Paulo está agonizando por essa política de desmonte orquestrada por Doria e por um secretário de Cultura que não tem apoio da classe artística”, afirma Marcos. “Ele está dizendo para ‘certa imprensa’, que tem 90% de aprovação da classe artística. Isso é uma mentira. Não o reconhecemos enquanto secretário de Cultura. Ele não quer dialogar, e sim, de uma forma autoritária, nos obrigar a viver de migalhas”, enfatiza. O movimento denuncia também o sucateamento dos equipamentos culturais públicos, o desmonte da Virada Cultural e o cancelamento de aulas e oficinas nas periferias.

Até o momento, o clima da ocupação é tranquilo e o fluxo dos ativistas está sendo mediado pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). O movimento está em negociação com Milton Flávio Marques, secretário de Relações Governamentais da Prefeitura, que cumpre o papel de interlocutor entre o movimento e a SMC. Na noite desta quarta (31), Marques gravou um vídeo desmentindo a nota divulgada pela assessoria de Sturm, que dizia que os manifestantes tentaram invadir o gabinete e expulsaram os servidores do local.

Na opinião do vereador Toninho Vespoli (PSol), que visitou a ocupação e também desmentiu a declaração do secretário, a ação é fruto da falta de democracia entre a Secretaria de Cultura e os coletivos. “Ele (Sturm) não tem estrutura emocional pra lidar com pressão, com divergência. Não tem condição de ficar à frente de uma secretaria”, declara. "O secretário vem colocando que o movimento é composto por poucas pessoas e que são ‘baderneiros quebrando coisas’ mas está tudo intacto. Os artistas não impediram nenhum funcionário público de trabalhar, ninguém agrediu ninguém”, diz Toninho. O vereador conta ainda que os artistas, em conjunto com a GCM, isolaram a área onde ficam computadores e documentos para prevenir uma possível retaliação.

Para o psolista, as tentativas de deslegitimação de Sturm tem como objetivo cessar o movimento. “Ele está querendo preparar uma situação para colocar a polícia lá dentro e retirá-los de lá. Não adianta querer criminalizar e dizer que é uma luta residual. Eles estão representando todos os agentes de cultura, inclusive os que não podem estar aqui”, defende o vereador.

Na tarde desta quinta-feira (1), foi realizado um ato em defesa da cultura em frente à Galeria Olido.

 

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