SP: Milhares se posicionam contra a reforma da Previdência e gritam "Fora Temer"

Cotidiano
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Mobilização faz parte do Dia Nacional de Luta e Paralisação Contra a reforma da Previdência

Por Lu Sudré
Colaborou Marina Saran
Caros Amigos

Tomada por milhares de pessoas, a Avenida Paulista, em São Paulo, foi inundada por bandeiras e gritos de "Fora, Temer" nesta quarta-feira (15). Diversos movimentos sociais e entidades ocuparam grande parte da principal avenida da cidade para se posicionar contra a reforma da Previdência proposta pelo governo em exercício. De acordo com informações da organização, mais de 80 mil pessoas participam do ato, que ainda ocorre neste momento (19h18). A mobilização faz parte do Dia Nacional de Luta e Paralisação Contra a Reforma da Presidência, convocada em todo País por centrais sindicais e pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, que prevê a reforma da Previdência, estabelece a idade mínima de 65 anos para aposentar, eliminando o benefício por tempo de serviço. Ainda de acordo com as mudanças estabelecidas pela PEC, seria necessário que o contribuinte trabalhasse formalmente e contribuísse por 49 anos para obter o benefício integral.

"Até o fim da vida"

Na opinião de Rubineuza de Souza, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do assentamento Normandia, em Pernambuco, a reforma da Previdência acaba com a conquista históricas dos trabalhadores. “A classe trabalhadora vai trabalhar até o fim da vida e não vai conseguir se aposentar. É um retrocesso, sobretudo para as mulheres e para as mulheres camponesas. Querer igualar o tempo de contribuição é não respeitar e não reconhecer as condições adversas de trabalho que as mulheres camponesas são submetidas. É ignorar a dupla e tripla jornada das trabalhadoras. É também por essas mulheres que lutamos, são dez anos a mais de trabalho precarizado, de mulheres que trabalham desde cedo de sol a sol”, afirma Rubineuza.

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Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, esteve presente no ato e apontou o caráter neoliberal da reforma de Temer. “Essa reforma da Previdência vai apenas beneficiar banqueiros. O que eles querem é vender a Previdência privada, onde o trabalhador aposenta ganhando uma mixaria e enriquecendo o setor que mais ganha nesse País. Os bancos que cobram os  juros mais altos do mundo”, critica a bancária.

Juventude

Participante da bateria do Levante Popular da Juventude, Paola Leal Nosella enfatiza que, se a reforma da Previdência for aprovada, a maior parte da juventude não conseguirá se aposentar. “Conseguir contribuir por 49 anos ininterruptamente não é a realidade dos jovens. A juventude está inserida no trabalho informal, precarizado e passando longos períodos desempregada.  A idade mínima pra aposentar de 65 anos é maior do que a estimativa de vida de muitas regiões periféricas da cidade. É um absurdo”, comenta a jovem de 19 anos.

Os reflexos da reforma e a precarização do trabalho da juventude também preocupa Mário Constantino, militante do coletivo RUA Juventude Anticapitalista. “A Previdência social é um pacto entre três gerações: trabalhadores jovens, adultos e idosos. Se os idosos não conseguirem se aposentar, demorarem mais dez anos, são dez anos a mais para os jovens entrarem no mercado de trabalho.  Para além de uma crueldade com os trabalhadores que trabalharam suas vidas inteiras, é também um enorme plano de desemprego para a juventude”,  diz  Mário. “O golpe foi dado e nós já sabíamos que o motivo central dele era fazer esse tipo de ajuste em cima da classe trabalhadora e do povo. Estamos aqui contra um governo golpista, disposto a fazer todo tipo de reforma impopular justamente porque não foi eleito pelo voto popular e não tem compromisso com nenhuma base social. Os únicos que lhes interessam são aqueles que financiaram o golpe: as grandes empresas”, ressalta o militante.

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