8M: Mulheres se posicionam contra a reforma da Previdência e contra a violência de gênero

Cotidiano
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As manifestantes denunciaram o retrocesso que o governo em exercício representa para as mulheres

Por Lu Sudré
Caros Amigos

Notícia atualizada às 22h30

Mulheres de todo o País ocuparam as ruas neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, reivindicando seus direitos e denunciando retrocessos protagonizados pelo governo em exercício. Segundo o Movimento Mulheres em Luta (MML), mais de 30 mil mulheres participaram da manifestação "8 de Março: Aposentadoria fica, Temer Sai", em São Paulo.

O ato teve concentração na Praça da Sé, centro da cidade, passou pelo Largo São Francisco e pela Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, onde, no cruzamento com a Rua Maria Paula, encontrou-se com outro ato organizado pelas mulheres do Sindicato dos Professores do Ensino do Estado de São Paulo (Apeoesp) que saiu da Avenida Paulista. Mulheres do 8M Brasil e que construíram a Paralisação Internacional de Mulheres também se somaram à manifestação.

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Composto por diversos coletivos feministas e entidades como a União Brasileira de Mulheres (UBM), Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Marcha Mundial das Mulheres, Mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a manifestação contou ainda com a participação de coletivos de juventudes e partidos políticos como o Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Socialista e Liberdade (PSol).

Por todo o percurso, as manifestantes se posicionaram contra a reforma da Previdência perpetrada pelo governo em exercício. Elas criticaram enfaticamente a igualação da idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem. A medida é considerada mais um sintoma do machismo estrutural da sociedade, já que ignora completamente a dupla jornada de trabalho das mulheres, que, além das 8 horas de trabalho, ainda realizam o trabalho doméstico.

Ivone Freitas, aposentada de 69 anos, mora em Botucatu e veio até o centro da cidade participar da mobilização. "O Temer quer tirar tudo que nos dá direito. Vamos lutar contra. Já sou aposentada, mas eu não luto só por mim, luto por todos. Principalmente pelos jovens, pra que eles tenham a mesma oportunidade que eu", afirmou em entrevista à Caros Amigos.

Protagonismo 

Enquanto erguiam suas bandeiras, as ativistas gritaram palavras de ordem como "Nem recatada, nem do lar; a mulherada está no dia pra lutar", "Legalize: o corpo é nosso, é nossa escolha, é pela vida das mulheres" e "Fora Temer", enquanto caminhavam ao som de baterias.

A presença das mulheres negras marcou a linha de frente da manifestação. Para Rosana Meira da Silva, orientadora social e militante do coletivo Kilombagem, com a atual conturbada conjuntura do País e com um governo que retira os direitos dos  trabalhadores, é extremamente necessário o recorte de raça e classe na pauta de gênero e feminista.

"Nós continuamos morrendo no SUS (Sistema Único de Saúde). Nossos filhos continuam morrendo na mão da Polícia. A mulher negra é a mais prejudicada sempre. Estamos na base da pirâmide social. Pagamos mais impostos, recebemos os piores salários", comenta. "A empregada doméstica precarizada, quem é? É a mulher negra. A reforma da Previdência vai prejudicar a população negra e principalmente nós, mulheres negras", critica Rosana.

Sentada na escadaria da Catedral da Sé, estava Stella Torquato, estudante de Design, com sua filha de poucos meses no colo. A jovem ressaltou que sua presença no 8 de março era uma forma de dar visibilidade para as mulheres mães. 

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"Estou aqui porque sou mãe. Mãe de uma mulher. Sofri muita violência dentro de casa e no meu relacionamento quando tive essa menina. Comecei a pensar que eu sofro e não quero que ela sofra. Encontramos força quando nos juntamos. Estou aqui representando as outras mulheres mães que ficaram a madrugada inteira amamentando e estão trabalhando agora. Estou aqui pra mostrar que mãe também existe, mãe também luta", disse Stella, enquanto amamentava sua filha.

Fora Temer!

Na avaliação de Maria das Neves, coordenadora de Juventude da União Brasileira de Mulheres, o 8 de março de 2017 é histórico, pois ocorre após um golpe que interrompeu a jovem democracia brasileira e retirou do poder Dilma Rousseff, primeira mulher presidente da República.

"As mulheres do Brasil e do mundo ocupam as ruas contra retirada dos diretos e o avanço do conservadorismo. No Brasil, em especial, tramita no Congresso Nacional a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista. O movimento feminista, estudantil, juvenil e sindical, além de diversas organizações, vêm de forma unitária ocupar as ruas para dizer que estas reformas não passarão. Não aceitaremos a retirada dos direitos das mulheres. Não aceitamos não ter o direito de nos aposentar", defende a militante. 

O ato se encerrou em frente à Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, onde as mulheres criticaram o prefeito João Doria (PSDB) e repetiram palavras de ordem como "João Doria, preste atenção. A mulherada não quer privatização". 

Abaixo algumas fotos do ato:

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(Fotos: Lu Sudré/Caros Amigos)

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