Israel ataca a Síria e crise se intensifica

Política
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Exército de Israel dispara misseís em território sírio e EUA busca  posição em relação ao conflito

Por Baby Siqueira Abrão
Do Brasil de Fato

Oficiais israelenses reconheceram na noite de sexta-feira (3) ter empreendido ataques aéreos à Síria. A confirmação veio de fontes militares dos Estados Unidos. A justificativa é evitar “a transferência de armas, químicas ou não, do regime sírio para os terroristas, especificamente para o Hezbollah, no Líbano”, disse um porta-voz de Israel em Washington.

Para o governo sionista, o envio de armas ao Líbano é a “linha divisória” que o separa de uma intervenção armada na Síria. Mísseis Scud, por exemplo, podem atingir qualquer ponto de Israel se atirados do território libanês.

Os alvos dos ataques israelenses não foram revelados, mas supõe-se que tenham incluído os sistemas de lançamento de armas.

Ataques à Síria

Não é a primeira vez que as forças israelenses atacam a Síria. Em janeiro, aviões militares de Israel atingiram um suposto carregamento de mísseis antiaéreos que, segundo os oficiais sionistas, tinha como destinatário o Hezbollah. Moshe Ya’alon, ministro da Defesa israelense, admitiu publicamente a autoria desse ataque em 22 de abril, numa entrevista coletiva à mídia da qual também participou o secretário da Defesa dos EUA, Chuck Hagel. Foi nessa coletiva que Ya’alon falou sobre a linha divisória traçada por Israel: “Quando a Síria cruza essa linha, enviando equipamentos a grupos como o Hezbollah, nós entramos em ação”, afirmou ele.

É possível, porém, que o objetivo não declarado de Israel seja forçar os Estados Unidos a entrar de maneira direta no conflito sírio. Até agora, assim como acontece em relação ao Irã, o governo estadunidense tem feito apenas ameaças de ação direta. Seu papel na desestabilização do país árabe vem na forma de apoio militar, logístico, financeiro e de treinamento aos supostos “rebeldes” em luta contra o governo Assad.

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EUA

Mas Israel tem pressa na queda de Assad, para consolidar e ampliar a ocupação das colinas de Golã – região síria tomada durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e unilateralmente colocada sob a administração e as leis israelenses desde 1981. O país criado pelos sionistas já explora petróleo naquela parte do mundo, tendo como sócios nomes como Dick Cheney, ex-vice-presidente de George W. Bush; Rupert Murdoch, magnata da mídia conhecido por chantagens contra o governo da Inglaterra; e Bill Gates, dono da Microsoft. Além disso, o território sírio é estratégico para Israel e seus planos de ataque ao Irã.

Publicamente, porém, o governo Obama tem frustrado o projeto de expansão israelense. Vem agindo com cautela, para evitar os erros de Bush, que, segundo a versão oficial, atacou o Iraque para destruir um arsenal de armas de destruição de massa – mais tarde reconhecido como inexistente pelo próprio Colin Powell, que mentiu sobre o assunto diante das Nações Unidas e depois se desculpou pelo escorregão voluntário.

Por ora, os EUA ainda aguardam que seus serviços de inteligência apurem o suposto uso de armas químicas pela Síria. Mais: ao saber do reconhecimento, por parte de Israel, dos ataques ao território árabe. Barack Obama comentou que “não antevê nenhuma situação” que leve as forças armadas estadunidenses a um assalto militar à Síria. Na Casa Branca, autoridades evitam comentar a admissão israelense do ataque aéreo ao território sírio. Declaram que as perguntas devem ser feitas a Israel.

Oriente Médio

Os alvos israelenses não se resumem à Síria, entretanto. O Líbano também está na mira. Aviões do país sionista têm violado o espaço aéreo libanês há tempos, com frequência praticamente diária. Na sexta-feira, 3 de maio, o presidente Michael Suleiman fez um apelo à ONU e à comunidade internacional para que obriguem Israel a respeitar a soberania libanesa, garantida pela resolução 1701 das Nações Unidas. Suleiman ficou particularmente incomodado ao saber que os aviões pilotados pelos oficiais sionistas foram de Marjayoun e Al-Khayyam, no sul do país, até o vale do Beqaa, a leste, simulando ataques em baixa altitude desde quinta-feira, 2 de maio. “Israel continua com sua política de agressão”, reclamou Suleiman, destacando que as atividades das forças armadas israelenses no Líbano violam todos os termos da resolução 1701, que estabeleceu, além do respeito à soberania de ambos os países, a não agressão mútua e o fim das hostilidades que envolveram o exército israelense e o Hezbollah, grupo militar formado para defender a população e o território libaneses da guerra que Israel comandou contra o Líbano. O Hezbollah venceu, obrigando Israel à retirada. Desde então vem sendo alvo de agressivas campanhas da parte dos sionistas, que o consideram “terrorista” e levaram os EUA a classificá-lo assim também. O Hezbollah tem como aliados os governos da Síria e do Irã.

Esta semana, num movimento surpreendente e significativo, Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, deixou seu bem-guardado esconderijo secreto para uma visita ao Irã, onde manteve encontros políticos com o presidente Mahmoud Ahmadinejad, o aiatolá Ali Khameney e outras autoridades iranianas. A visita reforçou os laços entre as duas forças políticas e muçulmanas, pedras nos sapatos – ou nas botas – da expansão israelense no Oriente Médio. Hezbollah e o Irã reafirmaram a necessidade de união dos países árabes e islâmicos contra essa expansão. Uma das estratégias de ambos é deter a prática de “dividir para dominar”, adotada por Israel em seu projeto de conquista da Ásia ocidental.

Como se percebe, e como a experiência mostra, a situação naquela região do planeta pode ficar ainda mais complicada – e ainda mais imprevisível.

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