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Sex27022015

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Artigos e Debates

Imprensa: A memória negra omitida pelos livros

IMPRENSA

A MEMÓRIA NEGRA OMITIDA PELOS LIVROS

Há 90 anos surgia Getulino, o primeiro jornal reivindicatório feito por negros, que subverteu, influenciou a opinião pública e alcançou o sucesso

Por Amanda Cotrim

No início do século 20, na praça Carlos Gomes, em Campinas, interior de São Paulo, havia um código: na parte interna ficavam os campineiros brancos; na externa, os pretos podiam andar. Se um negro tentasse entrar, seria expulso. Porém, em 1923 surge um jornal que enfrenta essa norma e diz: “temos o direito de andar do lado interno da praça”. Seu nome: Getulino.

Quem, hoje, nos conta essa história é o jornalista, pesquisador e doutor em história social pela PUC-SP José Roberto Gonçalves, que se debruçou sobre as 67 edições do Getulino para descobrir uma história que o Brasil ainda desconhece. “O conteúdo desse jornal combate a história contada pelos livros didáticos, que mostram o negro sempre como inferior, seja no tronco ou na senzala”, revela.

Getulino nasceu pelas mãos de quatro jovens negros: Martino Andrade (taxista e ativista), Cristino Andrade (taxista e irmão de Martino) e Antenor Prado, integrante do grupo dramático Luiz Gama. Além deles, os jornalistas e poetas Lino Guedes (trabalhou no campineiro Diário do Povo e no paulistano Diário de S. Paulo) e Geovazio de Moraes. O jornal foi concebido em dois endereços: rua Regente Feijó no 298 e na rua Luzitana no 135, no centro de Campinas.

O nome do jornal, avisa o pesquisador, não tem relação com o Getúlio Vargas. Getulino é em homenagem a Luiz Gama, um baiano, preto, filho da africana (livre) Luiza Main e do português Gonzaga Pinto da Gama. O menino era livre, mas aos 10 anos foi vendido pelo pai como escravo para pagar dívida de jogo. Sua mãe havia fugido, anos antes, para o Rio de Janeiro, por ter se envolvido na Revolta dos Malês (1835).

Luiz Gama só conseguiu provar sua liberdade aos 18 anos, depois de aprender a ler e a escrever, no cativeiro. Mais tarde, tornou-se advogado, poeta e abolicionista. Getulino, explica o pesquisador, é o nome adotado por Gama como pseudônimo. Além disso, getulino é o povo de Getúlia, no norte da África. “Naquela época, chamar a pessoa de getulino, você estava dizendo que ela era negra”, explica.

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Cinema: A política ao redor

CINEMA

A POLÍTICA AO REDOR

A repercussão de O Som ao Redor ilustra uma parcela do cinema brasileiro contemporâneo disposta a quebrar barreiras de gênero cinematográfico e debater questões do presente

Por Heitor Augusto

A estreia de O Som ao Redor no circuito brasileiro em 4 de janeiro, após uma frutífera temporada de premiações em festivais nacionais e internacionais, abre o corredor para o acesso a um conjunto de filmes contemporâneos que fazem um embate com questões atuais buscando códigos contemporâneos de linguagem.

Um cinema que tenta responder e reagir ao seu tempo sendo político, mas indo muito além do panfleto. Falsa cordialidade, desnível nas relações de trabalho, especulação imobiliária e processo desenfreado de verticalização das cidades, violência do Estado, alastramento da cultura do medo, esvaziamento do espaço público, investigação da classe média e dos novos ricos, pressão do capital contra o pequeno agricultor, esquizofrenia nos processos históricos brasileiros são alguns dos assuntos que atravessam uma cartela de filmes contemporâneos.

Propostas e abordagens que formam uma partitura diversa. Seria um equívoco colocá-los sob um mesmo guarda-chuva, ignorando suas particularidades. O que se pode afirmar com tranquilidade é que estamos vivendo um momento especial: existe um conjunto de filmes que cutucam, questionam e provocam, olhando de frente vicissitudes brasileiras, mas também estão preocupados em contar suas histórias de outras maneiras.

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Frei Betto: Neste novo ano de 2013

NESTE NOVO ANO DE 2013

Por Frei Betto

A ONU declara 2013 Ano Internacional de Cooperação pela Água. Na literatura, comemoram-se 70 anos da publicação de O ser e o nada, de Sartre; 80 anos de A condição humana, de André Malraux; 100 anos de A metamorfose, de Kafka; e do texto de Einstein sobre a Teoria da Relatividade. São 300 anos da rebelião e do massacre dos índios tapuias, do Ceará, dizimados por ordem do Império.

A 4 de janeiro comemoramos 25 anos da morte do cartunista Henfil. A 7 de janeiro, 40 anos da morte sob torturas, na cidade de Paulista (PE), por agentes do DOPS-SP, dos militantes de esquerda denunciados pelo Cabo Anselmo: Eudaldo Gomes da Silva, Pauline Rechstul, Evandro Luís Ferreira de Souza, Jarbas Pereira Marques, José Manuel da Silva e Soledad Barret Viedma. A 12 de janeiro, três anos da morte, no terremoto do Haiti, da médica Zilda Arns Neumann. A 31 de janeiro, 100 anos do nascimento do monge trapista americano Thomas Merton.

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João Pedro Stedile: Um poder Judiciário nada republicano

UM PODER JUDICIÁRIO NADA REPUBLICANO

Por João Pedro Stedile

Os princípios que deram base à instalação de regimes democrático-burgueses, a partir das revoluções da Inglaterra e da França, é que todo poder político do Estado emanaria da vontade popular, das maiorias. Que todo cidadão teria direitos e deveres iguais. E o Estado se organizaria dividido em três poderes independentes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Aqui, no Brasil, e na maioria dos países da América Latina, o poder judiciário está muito longe de ser republicano. Seu poder nem emana do povo, nem é exercido para defender os interesses da maioria.

As mazelas desse poder, não democrático, aparecem todos os dias no conhecimento da população e nos jornais. Desde as pequenas falcatruas oportunistas tipicamente de quem se sente inatingível até grandes desvios provocados pelos interesses da classe dominante, que usa e abusa do poder judiciário para manter seus privilégios. Das pequenas mazelas, vocês souberam das polpudas diárias, dos aumentos auto-atribuídos pelos magistrados, até aqueles desvios em obras públicas, etc. Nessa classificação incluiria, também, as formas como os magistrados fizeram carreiras.

Um presidente do STF, já aposentado, recentemente foi aclamado pela imprensa como um juiz exemplar, mas ele era mesmo bom de articulação política, galgou todos os postos do judiciário até chegar a ser presidente do STF, sem nunca ter feito um concurso público sequer! E muito menos foi eleito para isso. Então de onde veio tal poder? De seu notório saber? E os outros notáveis que há na sociedade, em todas as áreas, não teriam o mesmo direito? Seu poder veio da confiança política que granjeou junto à classe dominante que lhe confiou esses cargos para que sempre julgasse a seu favor!

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Memória Cultural: Um pedaço da África em São Paulo

MEMÓRIA CULTURAL

UM PEDAÇO DA ÁFRICA EM SÃO PAULO

Ainda pouco conhecido, o primeiro centro cultural da cidade dedicado às tradições afro-brasileiras quer criar uma ponte entre o continente negro e o nosso país. 

Por Bruno Fiuza

“Yababa kuara, tem magia/ Foi templo quilombola/ Refúgio para a Liberdade/ Raízes da nossa Escola/ Axé! A fé conduz”. Assim começa o samba enredo da Barroca Zona Sul durante o desfile do Grupo 1 da União das Escolas de Samba de São Paulo (Uesp) em 2013. Sediada no distrito do Jabaquara, na Zona Sul da cidade, a escola contou a história do bairro, desde os tempos em que era uma sesmaria do padre José de Anchieta, no século 16, até hoje. E, como não poderia deixar de ser, o samba inicia com a passagem mais fascinante, misteriosa e polêmica desse enredo: a ideia de que, nos tempos da escravidão, teria existido um grande quilombo ao sul da cidade de São Paulo, na região que hoje corresponde ao distrito do Jabaquara.

O detalhe é que muitos defensores da teoria acreditam que o suposto quilombo ficava exatamente onde hoje funciona aquele que foi o primeiro centro cultural dedicado às tradições negras em São Paulo, o Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro Caio Egydio de Souza Aranha. A instituição ocupa o prédio que originalmente abrigou o Centro Cultural do Jabaquara, construído no fim da década de 1970 no terreno do antigo Sítio da Ressaca, que era parte de uma das sesmarias do padre José de Anchieta.

A propriedade dos jesuítas era utilizada desde o século 16 como um ponto de parada para os viajantes que iam da vila de São Paulo para a então vila de Santo Amaro, à qual pertencia a atual região do Jabaquara. Neste sítio foi construída, em 1719, uma casa de taipa de pilão que resistiu ao tempo e chegou intacta ao século 20. Tombado como patrimônio histórico da cidade em 1972, a Casa do Sítio da Ressaca hoje faz parte do complexo que abriga o Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro.

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Acordo Ortográfico: Os interesses por trás da uniformização

ACORDO ORTOGRÁFICO

OS INTERESSES POR TRÁS DA PRETENSA UNIFORMIZAÇÃO

Em uso facultativo há quatro anos, a nova ortografia falha no objetivo da escrita comum entre os países lusófonos, mas alimenta a indústria editorial

Por Eliane Parmezani

Em maio de 2008, o governo federal brasileiro publica no Diário Oficial a determinação do Ministério da Educação (MEC) de que os livros didáticos, que seriam distribuídos aos alunos em 2010, deveriam estar com todas as mudanças previstas no novo Acordo Ortográfico. Para se ter uma ideia dos custos de tal política, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), uma autarquia do MEC responsável pela aquisição e distribuição de livros didáticos aos alunos da rede pública de ensino, anunciou um investimento de 100 milhões de reais com a compra de 10 milhões de dicionários de português atualizados com as novas regras ortográficas, para distribuição nas escolas públicas de educação básica em 2012.

A última vez que o FNDE distribuiu tal material antes da reforma foi em 2006. Isso faz com que os dicionários antigos sejam inutilizados. Ligia Simeone, que é professora de português na rede pública de ensino, confirma que todos os livros didáticos em uso seguem as regras do novo Acordo, incluindo os dicionários, paradidáticos e livros de literatura. “No início, o gasto maior foi com a troca dos dicionários que muitas escolas ainda não têm”. Para a aquisição de dicionários para alunos dos ensinos fundamental e médio, o PNLD Dicionários 2012 destinou outros quase 100 milhões de reais dos cofres públicos. Entre os títulos com maior tiragem, vale destacar os do grupo Caldas Aulete, que superam os 20 milhões de reais.

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Ensaio Fotográfico: Comunidades do Rio

ENSAIO FOTOGRÁFICO

Por Luiz Baltar e Renan Otto

COMUNIDADES DO RIO

“Tem Morador” é um projeto coletivo de documentação, que tem como objetivo registrar as lutas de resistência e o cotidiano das comunidades ameaçadas de remoção. O coletivo é formado por ex-alunos da Escola de Fotógrafos Populares/Imagens do Povo, projetos criados no Complexo da Maré, pelo documentarista João Roberto Ripper e ligado ao Observatório de Favelas. Nossas atividades de documentação começaram em março de 2010 na Providência. Foram mais de 20 saídas fotográficas, até agora, que produziram em torno de 3 mil imagens e vídeos. Durante esse tempo, participamos fotografando diversas atividades em apoio aos moradores e aos grupos que atuam na luta pelo direito à moradia e também de atividades socioculturais de resistência às remoções na cidade do Rio de Janeiro. Algumas imagens do Projeto “Tem Morador” podem ser vistas nessa projeção http://tinyurl.com/a9h3tye .

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Entrevista - Tales Ab'Saber: O fenômeno do Lulismo e o vazio da crítica

Entrevista: TALES AB’SÁBER

O FENÔMENO DO LULISMO E O VAZIO DA CRÍTICA 

Por Gabriela Moncau

Sentado na poltrona da ampla e iluminada sala de seu apartamento, o psicanalista e professor de filosofia da psicanálise da Unifesp, Tales Ab’Sáber, recebeu a Caros Amigos para conversar a respeito, principalmente, do que tratou em seu livro Lulismo, carisma pop e cultura anticrítica (Hedra), no qual reflete sobre a construção desse outro nível de carisma, o “carisma pop”, constituinte da imagem desse homem público que, para ele, já há anos se tornou muito maior que o próprio Partido dos Trabalhadores (PT).

“A construção desse poder carismático, dessa exceção, é altamente mediada, técnica, industrial, construída por marqueteiros, pesquisas de mercado. O Lula, o PT e as forças sociais ao redor dele geriram muito bem essa máquina industrial”, salienta, explicando a chegada a “esse outro grau”, “o carisma de indústria cultural, o número de referências por tempo, a pulsação da imagem”. Em sua opinião, o governo Lula, operando a desmobilização de tensões classistas e a articulação de extremos, “criouum mundo sem oposição”.

Formado também em Cinema pela USP, Tales estuda a imbricação de psicanálise e cultura, chamando a atenção para o movimento articulado entre a construção da imagem carismática de Luiz Inácio Lula da Silva e suas políticas de governo que colocaram o Brasil em posição de integração ao mercado global, alimentando a expansão da mercadoria também sobre a cultura.

Para ele, essa é a grande chave da era Lula, que num movimento duplo alavancou a própria máquina industrial que construiu o “carisma pop” do hoje “imbatível” líder petista, e trouxe o vazio da crítica para a arte, o pensamento e a própria luta social. A captura das potências utópicas de manifestações culturais, portanto, também permeou a entrevista, assunto abordado em outro livro seu, o recém-lançado A música do tempo infinito (Cosac Naify), sobre a música eletrônica. Trata-se, para Ab’Sáber, do “último vetor da contra- cultura” e da “última das capturas” da indústria do entretenimento.

Caros Amigos - Você escreveu que o paradoxo social e político do governo Lula foi o claro desejo de articular extremos. Por que?

Tales Ab’Sáber - Eu entendo que o governo Lula realizou um pacto social, tecido em grande parte nos potenciais concretos do corpo do político Lula. Quem dava voz a certa tensão classista organizada e de massas no Brasil era o próprio PT. E, no projeto do governo Lula, esse vetor do PT foi radicalmente desmobilizado. O desenvolvimento do capitalismo contemporâneo foi resolvido num projeto de pacto social. As classes trabalhadoras, particularmente os muito pobres, tiveram que aceitar aquilo que o governo pactuou com as elites que era o possível de dar. E não mais. Ao mesmo tempo, as elites tiveram que aceitar ou entender que o governo Lula era – e o governo fez todos os movimentos necessários concretos para isso – um governo pró-capital. O que se criou foi um mundo sem oposição. As conquistas para os trabalhadores durante o governo petista são muito menores, concretamente, do que o efeito que elas produziram. Aí vem o problema que eu abordo, que faz parte da política do governo: o amor pelo próprio líder. Uma parte “secreta”, é um fetichismo com seu segredo. O próprio Lula é o seu fetiche.

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Perfil: Oscar Niemeyer, o arquiteto comunista

PERFIL

OSCAR NIEMEYER, O ARQUITETO COMUNISTA

Por Paula Salati

Em uma apresentação de um livro seu de memórias, Oscar Niemeyer dizia sentir que, nele, havia duas pessoas distintas. Uma pessimista diante da vida e dos homens, revoltada contra as injustiças do mundo. E outra mais otimista, voltada para o lado bom da vida, da vida divertida que sempre o atraiu.

O pessimismo foi responsável pelo ateísmo convicto do mestre da arquitetura desde os tempos de infância. E também pela sua adesão política e ideológica ao comunismo, à qual se manteve fiel até o fim da vida. “Fui sempre um revoltado. Da família católica eu esquecera os velhos preconceitos, e o mundo parecia-me injusto, inaceitável. Entrei para o Partido Comunista abraçado pelo pensamento de Marx que sigo até hoje”, expõe em seu livro As Curvas do Tempo. No entanto, o otimismo também era necessário, pois “a vida é um minuto que passa rápido”. “A vida é um sopro”, dizia Niemeyer.

E por isso, para ele, era preciso aproveitar os momentos de prazer. Do seu sopro alegre e indignado, que perdurou quase 105 anos, a arquitetura ganhou uma nova forma de trabalhar o concreto armado: através de curvas livres, leves e dinâmicas. Características que marcaram a arquitetura moderna brasileira e que projetaram Niemeyer no Brasil e mundo. Após seu falecimento, no dia 5 de dezembro de 2012, por uma infecção respiratória, o arquiteto deixou um legado de mais de 500 criações pelo mundo todo.

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